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Lula aumenta chances reprodutivas fecundando machos e fêmeas

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h59 - Publicado em 21 set 2011, 18h12

Um tipo de lula que vive nas águas profundas e escuras do Pacífico fecunda indiscriminadamente machos e fêmeas para aumentar ao máximo suas chances reprodutivas, segundo estudo publicado na revista Biology Letters, da Royal Society britânica.

A lula ‘Octopoteuthis deletron’, que vive entre 400 e 800 metros de profundidade, tem um curto período reprodutivo, após o qual morre rapidamente, tendo ou não conseguido transmitir seu material genético a uma fêmea.

Esta lula não copula realmente, mas acasala liberando “espermatóforos” (cápsulas que contêm espermatozóides) sobre o corpo de outro indivíduo, usando um apêndice alongado que lembra vagamente um pênis. As cápsulas depois soltam os espermatozóides, os quais se implantam nos tecidos da fêmea, possibilitando a reprodução.

No entanto, saber quem é fêmea parece extremamente difícil nestas escuras águas do Pacífico oriental, particularmente porque machos e fêmeas vivem separados uns dos outros e se parecem muito fisicamente.

Tudo leva a crer que, para aumentar as chances de se reproduzir, o macho fecunda sistematicamente toda lula deste tipo que encontrar pela frente, seja do sexo que for.

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Hendrik Hoving, biólogo no Instituto de Pesquisas do Aquário de Monterey Bay, na Califórnia (Estados Unidos), começou a pensar desta forma ao descobrir carcaças de lulas machos com espermatóforos.

Posteriormente, usou um robô submarino teleguiado para observar diretamente estas lulas. De um total de 108 exemplares filmados, os cientistas só conseguiram reconhecer o sexo de 39. Dezenove destes 39 tinham espermatóforos (9 machos e 10 fêmeas).

Segundo o estudo, no caso dos machos, as cápsulas de espermatozóides se encontravam fora do alcance de seu próprio “pênis”, razão pela qual só poderiam ter sido implantadas por outro macho.

O macho “acasala indiscriminadamente com machos e fêmeas”, resumiu.

“Aparentemente, para esta espécie é menos difícil perder espermatozóides, deixando-os com outro macho do que desenvolver mecanismos de discriminação sexual (…) ou recusar-se a acasalar”, concluíram os cientistas.

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