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Laboratório marciano tem contribuição brasileira

O site de VEJA conversou com os dois únicos brasileiros que integram a missão da Nasa que vai a Marte procurar pelos ingredientes necessários à vida

O Mars Science Laboratory (MSL), missão bilionária que vai procurar pelos ingredientes necessários à vida em Marte, tem uma pequena mas importante participação brasileira em seu desenvolvimento. O site de VEJA visitou o Jet Propulsion Laboratory (JPL), a fábrica de robôs espaciais da Nasa, e conversou com os dois únicos pesquisadores brasileiros entre os 200 profissionais que atualmente trabalham na missão.

Se tudo der certo com o lançamento do MSL, no dia 25 de novembro, a primeira estação meteorológica de Marte terá sido desenvolvida pela equipe do brasileiro Nilton Rennó. Chamada Rover Enviromental Station (REM), ela vai medir temperatura, pressão, umidade da atmosfera e analisar propriedades do solo marciano. “Temos que saber se há líquido em Marte, no ar ou na terra.”

Doutor pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e professor de engenharia da Universidade de Michigan, o paulista se envolveu com a Nasa depois de ter visto os dados da missão Mars Pathfinder (MPF), que lançou uma sonda e um pequeno veículo a Marte em 1997. Rennó havia acabado de propor um modelo matemático para os “dust devils”, os redemoinhos de poeira muito comuns em desertos. “O MPF fotografou vários deles em Marte.”

Ao aplicar o modelo recém-criado ao evento natural marciano, os dados casaram perfeitamente. “Fui bem reconhecido na comunidade científica e convidado a ajudar em um experimento para futuras missões a Marte.”

Com o MSL, Rennó espera ter a mesma sorte que teve com a Phoenix, missão que levou uma sonda à região polar de Marte. O instrumento desenvolvido por sua equipe detectou uma imensa camada de gelo poucos centímetros abaixo da superfície.

Tour planetário – Como muitos de sua geração, a carioca Jacqueline Lyra, de 49 anos, encantou-se com ciência espacial ao ver o homem na Lua, em 1969. No princípio, pensou em investir em uma carreira em terras brasileiras, mas na época o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) não aceitava mulheres. “Por causa disso fui tentar estudar nos Estados Unidos e acabei sendo aceita no Instituto Tecnológico de Nova York”, conta Jacqueline em entrevista a VEJA.

Jacqueline Lyra na NASA

Jacqueline Lyra na NASA (/)

Depois de um mestrado na Universidade do Texas e uma entrevista bem sucedida para fazer parte do JPL, a carioca embarcou em um tour interplanetário. Trabalhou no fim da missão Galileo, sonda lançada em 1989 para estudar Júpiter, e operou a sonda Cassini, lançada em 1997 para caracterizar Saturno, o misterioso gigante gasoso.

Jacqueline também foi escalada para trabalhar em uma missão não muito ambiciosa, mas muito desafiadora: o Mars Pathfinder. “A ideia era construir rapidamente e com pouco dinheiro uma sonda simples e um veículo ainda mais simples para serem enviados a Marte”, conta.

Controle de temperatura – Jacqueline se especializou em sistemas de controle de temperatura. Depois de trabalhar na missão dos jipes Spirit e Opportunity, lançados a Marte em 2003, a brasileira foi convidada a gerenciar a equipe que desenvolveu o sistema de controle de calor do MSL. “Nosso projeto é responsável por regular a temperatura do jipe como um todo, para que os instrumentos possam funcionar corretamente”, explica.

Mesmo com os milhares de testes feitos para garantir a funcionalidade da plataforma, a possibilidade de algo dar errado tira o sono da engenheira. Assunto ainda mais delicado devido a crise financeira que a Nasa está enfrentando. “São sete anos de muito trabalho. Muita gente nova está trabalhando pela primeira vez. É um sistema tão complexo. E o risco de fracasso sempre ronda o tipo de trabalho que fazemos”, afirma.

Infográfico Mars Science Laboratory

Infográfico Mars Science Laboratory (/)