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Japoneses encontram o elemento 113 da tabela periódica

Caso os organismos internacionais reconheçam a conclusão dos experimentos com acelerador de particulas, japoneses serão os primeiros asiáticos com direito a nomear elemento atômico

Por Ricardo Carvalho Atualizado em 6 Maio 2016, 16h27 - Publicado em 26 set 2012, 20h38

Cientistas do Japão afirmam ter encontrado o elemento 113 da tabela periódica. Caso a descoberta seja ratificada pela Iupac e pela Iupap, as uniões internacionais de química e física aplicada, respectivamente, os japoneses serão os primeiros asiáticos a terem direito de batizar um novo integrante da tabela periódica, que ainda carrega o provisório nome de unúntrio. Dessa forma, eles passarão a integrar o seleto grupo que conta com Estados Unidos, Rússia e Alemanha, únicas nações que conseguiram feitos semelhantes.

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O recém-criado elemento é um átomo com 113 prótons no seu núcleo. Com uma quantidade tão grande de cargas positivas, e consequentemente um alto nível de radioatividade, ocorre, em questão de segundos, a desintegração do elemento em partículas menores. “O núcleo simplesmente não dá conta de tantos prótons”, explica Regina Frem, doutora em química e professora do Instituto de Química da Unesp, em Araraquara. O 113, uma vez sintetizado, se transformou – ou decaiu – seis vezes (no 111, depois no 109, 107, 105, 103 e, por fim, no Mendelévio, de número atômico 101). A cada decaimento, ocorria a emissão de uma partícula alfa, composta por dois prótons e dois nêutrons. É a partir dessa partícula alfa que os cientistas conseguem detectar o elemento, que “vive” por apenas alguns segundos em laboratório. Em outras palavras, os dados dos elementos 111, 109, etc., coletados após anos de estudos, permitiram a caracterização do átomo agora reivindicado pelos japoneses.

Entre 2004 e 2005, o Centro Riken Nishina, responsável pelo estudo publicado nesta quarta-feira no Journal of Physical Society of Japan, chegou a detectar o novo elemento, mas só conseguiu produzir quatro decaimentos, razão pela qual a Iupac e a Iupap não chancelaram o achado.

Na marra – Para fabricar o elemento 113, a equipe coordenada pelo cientista Kosuke Morita usou um acelerador de partículas. Milhões de partículas do elemento zinco, que tem 30 prótons no seu núcleo, foram arremessadas contra uma chapa metálica contendo bismuto (83 prótons). O acelerador fez com que o zinco viajasse a 10% da velocidade da luz, único jeito de vencer a rejeição que dois núcleos repletos de cargas positivas têm um sobre o outro. “O choque precisa gerar mais energia do que eles gastam tentando se repelir”, diz a professora da Unesp. Como resultado, alguns núcleos de zinco e de bismuto se uniram, dando origem ao efêmero elemento de número atômico 113. O procedimento foi realizado no dia 12 de agosto.

Para receber o carimbo da comissão conjunta da Iupac e da Iupap, o mesmo experimento terá de ser repetido por outros laboratórios. Se o resultado for semelhante ao obtido pelo instituto japonês, o país ganha o direito de batizar o novo elemento. Neste ano, por exemplo, as entidades aprovaram os testes realizados por um grupo de pesquisa formado por americanos e russos, que nomearam de fleróvio e livermório os números 114 e 116 da tabela periódica, achados um ano antes.

Todos os componentes da tabela periódica que têm núcleos superpesados não existem na natureza. Desde a década de 1940 são realizados procedimentos com reatores nucleares e com aceleradores de partículas para gerar novos elementos.

Kosuke Morita, do Centro Riken Nishina, já adiantou que quer agora tentar chegar ao elemento 119. O entusiasmo de Morita não é reflexo apenas de uma competição entre países para ver quem tem mais nomes na tabela periódica. Sintetizar novos elementos, diz Romeu Rocha Filho, professor da pós-graduação em Química da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), ajuda a tentar entender como os constituintes da matéria se relacionam. Além do mais, ele explica que existe uma teoria, conhecida por ilha de estabilidade nuclear, segundo a qual o núcleo tenderia a se estabilizar por volta de 120 prótons. Caso se confirme, um elemento criado em laboratório poderia durar um pouco mais do que alguns segundos. “Isso permitira que os cientistas estudassem com mais detalhes as propriedades do elemento”, diz Rocha Filho.

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