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Homens têm voz grave para intimidar concorrentes, não para atrair mulheres, diz estudo

De acordo com cientistas, o tom baixo masculino seduz as mulheres, mas tem efeito três vezes maior em outros homens, que consideram a voz grave uma ameaça

Por Marina Rappa Atualizado em 6 Maio 2016, 15h57 - Publicado em 28 abr 2016, 10h51

Vozes masculinas graves podem ser atraentes para as mulheres, mas, de acordo com um novo estudo, o tom causa ainda mais impacto em outros homens. Segundo a pesquisa, feita por cientistas da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, as vozes de tom baixo seduzem as mulheres, mas têm impacto três vezes maior em outros homens, que consideram o tom ameaçador. Até então, acreditava-se que a voz grave havia evoluído como uma habilidade para atrair o sexo oposto – a nova descoberta, publicada nesta quarta-feira no periódico científico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, revela que esse é apenas um aspecto da evolução da voz humana.

“A diferença das vozes entre os sexos provavelmente evoluiu devido à competição masculina, que favoreceu aqueles que tinham tons mais graves e ameaçavam os concorrentes, além de a voz grave ser atraente para as fêmeas”, disse o antropólogo David Puts, líder do estudo, ao site de VEJA.

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Sedução ou ameaça? – No estudo, dividido em três fases, os pesquisadores selecionaram 1 721 gravações de vozes de primatas. Após a análise dos primeiros dados, os cientistas identificaram que os machos poligâmicos (com mais de uma parceira) tinham um tom de voz mais grave que os monogâmicos (uma única companheira) – como a competição entre machos é maior em comunidades poligâmicas do que em monogâmicas, a voz grave seria usada como vantagem na hora da intimidação de outros machos.

O segundo experimento contou com 433 voluntários, sendo 258 mulheres e 175 homens. Os voluntários foram gravados lendo o mesmo trecho de um texto. Para esta fase do projeto, a voz de cada mulher foi avaliada por 15 homens que a pontuaram no quesito atratividade em uma escala de sete pontos, com visões para relacionamentos de longos e curtos períodos. O mesmo ocorreu com os homens, que também tiveram os tons de voz avaliados, cada um, por 15 mulheres. Por último, a gravação de cada homem foi avaliada no quesito dominância por outros 15 homens.

As vozes femininas e masculinas mostraram efeitos opostos: enquanto os homens não consideraram a voz feminina como uma grande influência na atratividade, as mulheres indicaram que o tom de voz grave dos homens é considerado atraente; para outros homens, o tom baixo e grave foi considerado intimidador. Ao analisar os dados com mais profundidade, o que os cientistas descobriram foi que a ligação do tom de voz com a dominância é três vezes mais forte que sua conexão com a atratividade – sendo assim, é possível que a evolução do tom de voz masculino esteja mais relacionada com a competição entre machos do que com a escolha das fêmeas.

Puts acredita que o tom grave masculino revele também que os seres humanos evoluíram como uma espécie “moderadamente poligâmica” – mesmo nas sociedades monogâmicas, os homens estão mais propensos a terem novas relações e se reproduzirem após a viuvez ou separação. Para isso, precisam atrair novas esposas e afastar prováveis concorrentes. Essa característica estaria, assim, “gravada” no tom grave de voz masculino e em seu efeito em outros homens.

A evolução da voz – Na última fase do estudo, os pesquisadores identificaram que a voz de tom baixo também está relacionada a padrões de saúde: os tons mais baixos estavam ligados a baixos níveis do hormônio do estresse, além de altos níveis de testosterona e a um sistema imunológico saudável. Sendo assim, é possível que as fêmeas achem a voz grave atrativa por estar relacionada a alguém saudável.

“Esse estudo nos ajuda a entender como se deu nossa evolução, a dos nossos ancestrais e parentes próximos. Especificamente, oferece pistas para a compreensão de como se deu a evolução do tom de voz, uma característica muito importante para as nossas relações diárias”, afirmou Puts.

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