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Hawking, Zuckerberg e bilionário russo lançam ambicioso projeto de missão interestelar

Empreitada busca alcançar o sistema de Alfa Centauro, localizado a 4 anos-luz da Terra, com minúsculas sondas: 'Para sobreviver como espécie, devemos nos dirigir às estrelas'

O físico Stephen Hawking apresentou nesta terça-feira em Nova York um ambicioso projeto de exploração espacial apoiado pelo bilionário russo Yuri Milner e pelo criador do Facebook, Mark Zuckerberg. A missão prevê um novo e minúsculo modelo de sonda com a qual se pretende alcançar o sistema estelar mais próximo ao nosso, Alfa Centauro. Se a iniciativa for bem sucedida, os cientistas poderão determinar se o sistema formado por três estrelas tem um planeta parecido com a Terra, capaz de sustentar a vida como conhecemos. “Para sobreviver como espécie, devemos nos dirigir às estrelas, e hoje nos comprometemos com o próximo grande avanço do homem no cosmos”, disse Hawking em entrevista coletiva em Nova York.

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Batizado Breaktrough Starshot e estimado em 100 milhões de dólares, o projeto usará ‘nanonaves’ extremamentes leves, chamadas Lightsail. Elas viajarão pelo espaço com uma espécie de vela – como a de barcos, mas movida a radiação solar – e contarão com um impulso inicial dado por um raio laser projetado desde a Terra. O sistema estelar Alfa Centauro está a 4,37 anos luz da Terra. Com a nave mais rápida da atualidade, demoraria 30 mil anos para chegar lá, mas a meta da Starshot é encurtar a viagem para “apenas” 20 anos.

Presente ao evento, Milner explicou que essa ‘nanonave’ espacial tem o tamanho de um microchip e, teoricamente, poderia “navegar pelo espaço a 20% da velocidade da luz”. “Para termos uma ideia, a sonda viajaria um milhão de vezes mais rápido que um carro na estrada”, explicou Milner. “Pela primeira vez podemos fazer algo mais do que ver as estrelas. Podemos alcançá-las.”

O programa, ainda embrionário, é liderado por Pete Worden, diretor aposentado da Nasa. “Temos aproximadamente uma dúzia de problemas que precisamos resolver”, afirmou Milner ao Washington Post. Estima-se que o objetivo só seja alcançado em cerca de 50 anos. São 20 anos para a construção da tecnologia necessária, mais 20 anos para que as “nanossondas” cheguem até Alfa Centauro e mais menos 4 anos para receber os dados de volta à Terra.

O projeto inclui a construção de um projetor de luz, capaz de alimentar as “nanonaves” até o sistema distante, e uma espécie de nave-mãe, que levará todos os pequenos módulos para o espaço. Para Hawking, o projeto transcende os limites das viagens no espaço. “O limite que nos confronta é o grande vazio entre nós e as estrelas. Mas agora conseguimos transcender essa dificuldade com feixes de luz, velas e a espaçonave mais leve já construída”, afirmou o físico. Segundo ele, a probabilidade de encontrar vida inteligente no espaço “é baixa”. Mas, garantiu ele, este é “um esforço que vale a pena”.

(Com EFE)