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Gregos perdem acesso a novos artigos científicos por falta de verba

O site HEAL-Link, mantido pelo governo, é fonte de informações para universidades e centros de pesquisa do país

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h03 - Publicado em 6 jul 2015, 18h35

O portal grego Hellenic Academic Libraries Link (HEAL-Link), uma das principais fontes de informações científicas para universidades e centros de pesquisa do país, suspendeu quase todos os seus serviços na semana passada. O motivo foi o corte de verba vinda do governo, que mantém o site com ajuda dos fundos para desenvolvimento regional da União Europeia.

O HEAL-Link fornece à comunidade científica grega o acesso a artigos de 27 editoras, entre elas gigantes como Elsevier e Springer. Com a falta de pagamento, só será possível acessar pelo portal as edições antigas dos jornais.

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“HEAL-Link é particularmente vital para universidades, que raramente têm verba para assinar esses jornais científicos”, disse o cientista molecular Nektarios Tavernarakis, diretor do FORTH Instituto de Biologia Molecular e Biotecnologia (IMBB) em Heraklion, Creta.

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Não é a primeira vez que o site se torna refém da situação econômica do país. Na última década, houve o risco de que a página ficasse offline diversas vezes. A situação atual é diferente, no entanto, já que o país beira a falência e pesquisadores não acreditam que surgirão fundos de emergência para apaziguar a situação.

“A cada ano, nós já pagamos o serviço com algum atraso. Agora, com tudo que está acontecendo na Grécia, nós realmente não conseguimos prever o que vai acontecer”, disse um porta-voz do HEAL-Link à revista científica americana Nature.

A ciência grega corre ainda mais um risco: com o bloqueio de transferência de dinheiro de dentro do país para o exterior, pode se tornar difícil comprar os equipamentos e produtos essenciais para as pesquisas, que na maior parte dos casos são importados.

A crise econômica – No último domingo (05), o povo grego disse “não” à proposta de socorro financeiro de credores internacionais, via plebiscito. Sem a ajuda, o governo não tem o dinheiro para pagar a dívida de 1,6 bilhão de euros assumida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que venceu na última terça-feira (30).

Pela proposta, esses órgãos financeiros estenderiam o programa de ajuda ao país, dando-lhe 7,2 bilhões de euros, mas em troca a Grécia precisaria aumentar os impostos, cortar gastos e fazer uma reforma previdenciária.

Como consequência, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, convocaram uma reunião com os líderes da zona do euro que deve acontecer amanhã, em Bruxelas, para decidir o que acontecerá com o país. Há a chance de a Grécia deixar o bloco.

(Da redação)

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