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Genoma de formiga é sequenciado pela primeira vez

Depois da abelha doméstica, o sequenciamento da formiga é o segundo de uma família de insetos vivendo em comunidade

As formigas são extremamente sociais e sua capacidade de sobrevivência depende de seu grupo, de maneira muito semelhante aos humanos

Cientistas americanos conseguiram sequenciar pela primeira vez o genoma completo da formiga pertencendo a duas espécies diferentes, segundo trabalhos publicados na edição da revista Science desta sexta-feira. Depois da abelha doméstica, o sequenciamento é o segundo de uma família de insetos vivendo em comunidade e traz um novo aporte sobre seus comportamentos sociais excepcionalmente desenvolvidos.

“As formigas são criaturas extremamente sociais e sua capacidade de sobrevivência depende de seu grupo de maneira muito semelhante aos seres humanos”, revela Danny Reinberg, professor de bioquímica do Centro médico Langone da Universidade de Nova York, responsável pelo projeto de pesquisa. “Quer sejam operárias, soldados ou rainhas, as formigas representam um modelo de pesquisa ideal para determinar se a epigênese influencia o comportamento e o envelhecimento”, acrescentou.

A epigênese é uma teoria segundo a qual a constituição dos seres se inicia a partir de célula sem estrutura e se faz mediante sucessiva formação e adição de novas partes que, previamente, não existem no ovo fecundado.

A epigênese estuda como o meio ambiente e a história individual influenciam na expressão dos genes, e mais precisamente o conjunto de modificações transmissíveis de uma geração a outra.

O professor Reinberg mostra-se particularmente interessado em compreender como a epigênese age sobre a longevidade em determinados formigueiros nos quais as rainhas vivem até dez vezes mais que as formigas operárias. Estas vivem entre três semanas e um ano, enquanto que a rainha pode viver vários anos.

As formigas que tiveram o genoma sequenciado pertencem à espécie chamada de “formiga saltadora de Jerdon” e à da “formiga carpinteira da Flórida” considerada nociva no sudeste dos Estados Unidos. “O estudo dos genomas destas duas espécies é fascinante porque revelou diferentes comportamentos e papéis desenvolvidos pelas trabalhadoras”, revela o Dr, Reinberg.

“Embora todas as formigas numa colônia nasçam com o mesmo código genético, as diferentes ramificações neuronais que determinam o comportamento correspondente a cada classe social devem ser controladas po mecanismos epigenéticos”, deduz o pesquisador.

(Com Agência France Presse)