Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Fotos de celular: uma técnica que começa a ser levada a sério

Os fotógrafos que utilizam celulares para fotografar dispõem de novas possibilidades, de aplicativos que permitem retocar negativos analógicos até a escolha de objetivas intercambiáveis. Apesar disso, os grandes nomes da fotografia se mantêm longe desta tecnologia.

A Apple lançou em outubro seu iPhone 4S valorizando a capacidade de sua câmera fotográfica integrada, que é dotada de um “sistema óptico novo que pode se transformar no único aparelho necessário”, com oito megapixeis e uma objetiva com uma abertura de campo mais ampla.

Para Elodie Macquet, responsável pelo marketing da empresa americana Xshot, que produz principalmente tripés para iPhone, esta evolução “significa a morte de todas as câmeras de pequeno porte de pouca qualidade”.

“Pessoalmente, eu não utilizo mais a minha pequena câmara de fotos, pois o 4S (o telefone) funciona como uma verdadeira câmera e com (os aplicativos) Instagram e Hipsmatic é possível fazer fotos artísticas”, ressalta.

Contudo, o iPhone ainda é limitado pela falta de uma lente grande angular e uma objetiva macro.

Para preencher este vazio, já existe uma gama de equipamentos intercambiáveis, alguns dos quais foram expostos na Feira Internacional de Eletrônica de Consumo (CES) em Las Vegas (Nevada, oeste dos Estados Unidos).

A empresa Kogeto propõe, por exemplo, uma espécie de lupa batizada “Dot” (“ponto”) que é capaz de transformar o celular em uma câmera que pode filmar vídeos em 360 graus, sem equipamentos caros nem a necessidade de uma especialização em filmagem (79 dólares).

Por sua vez, a taiuanesa Ozaki lançará dentro de dois meses, por 139 dólares, um conjunto de três objetivas fotográficas: uma grande angular, macro e olho de peixe.

No entanto, Patrick O’Neill, criador do acessório Olloclip, é preciso muito cuidado com os equipamentos que prometem mais do que podem proporcionar, “o problema para uma teleobjetiva é que falta um tripé, senão é impossível fazer uma fotografia correta, o dispositivo é muito sensível a tremores”, afirmou.

A Olliclip propõe um pequeno acessório três em um (grande angular, macro e olho de peixe), que se fixa diretamente no iPhone, sem nenhuma caixa. Será vendido nos EUA por 70 dólares a partir de junho.

“Temos que aumentar a produção, provavelmente abrir um segundo local na China e depois nos Estados Unidos”, disse O’Neill, que ainda está surpreso com o grande interesse despertado por sua invenção: em maio ele publicou um pedido de financiamento no site Kickstarter para obter 15 mil dólares e conseguiu 68 mil.

O’Neill espera estar presente na Apple Store na Europa nesta primavera.

Na Fujifilm, que este ano ganhou o prêmio de melhor câmera na Feira (quem decide é um júri do site CNet) o porta-voz Matt Schmidt assegura que apesar da concorrência, os modelos de média gama, que custam cerca de 90 dólares, “ainda são muito importantes para os novos fotógrafos”.

“De certa forma o mercado pode diminuir” sob o efeito da concorrência dos celulares, afirmou. Mas, “por outro lado, smartphones atraem um novo público para a fotografia” e ele vai “diretamente para o mercado de média gama”.

A Fujifilm, que se distingue pelo seu X-Pro1, um aparelho de qualidade profissional, equipado com um novo tipo de sensor óptico que utiliza um filtro (que será lançado em fevereiro por 1.700 dólares para o corpo e mais 650 pela objetiva), até o momento não prevê fornecer equipamentos para iPhone.

O mesmo vale para Canon e Nikon, cujos representantes na CES não tinham dúvidas sobre a superioridade de seus equipamentos, incluindo os de baixa gama, já que seus resultados são melhores em locais com baixa luminosidade, têm uma melhor “sintonização” e também pode trabalhar com zoom.