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Fóssil ‘Frankenstein’ dá pistas sobre evolução de insetos

Encontrado no Brasil, exemplar pode esclarecer origem de asas nesses animais

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 17h05 - Publicado em 21 jul 2011, 14h33

Fósseis de insetos encontrados no Brasil podem ajudar a esclarecer o debate acerca da origem das asas nesses animais, revela estudo publicado no periódico holandês Insect Systematics & Evolution. Até hoje, pesquisadores não sabem ao certo se as asas foram geradas a partir de placas rígidas na parte traseira do tórax ou se derivam de outras partes móveis do corpo desses animais. Os Coxoplectoptera, como foram nomeados os insetos brasileiros, indicam que as asas surgiram nas placas traseiras, apesar de terem incorporado genes das patas.

Descobertas em Araripe, no Ceará, em 1997, as criaturas pré-histórias tinham uma conformação inusitada: asas e partes do corpo semelhantes às da libélula, asas e veias de efêmeros e patas dianteiras de louva-deus. A aparência chamou a atenção dos pesquisadores.

O depósito fóssil onde estavam os insetos vem sendo estudado por grupos de pesquisadores de várias partes do mundo. Os especialistas do Museu de História Natural de Stuttgart, na Alemanha, por exemplo, se debruçaram sobre fósseis de dois insetos adultos e 30 larvas e, a partir deles, estabeleceram uma nova ordem (uma categoria que contém várias espécies), chamada Coxoplectoptera. Os membros dessa ordem não possuem descendentes modernos e estão extintos há 120 milhões de anos.

O paleontologista Günter Bechly e o entomologista Arnold Staniczek, ambos funcionários do museu alemão, perceberam que tinham encontrado algo especial quando descobriram um dos insetos adultos fossilizados na coleção da instituição enquanto reviravam os registros do depósito encontrado no Brasil. O depósito brasileiro já revelou dezenas de milhares de fósseis bem preservados durante um período crucial para a evolução dos insetos, o início do Período Cretáceo, há 120 milhões de anos.

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As 30 larvas encontradas tinham um formato longilíneo, lembrando a forma de um camarão. Os insetos também tinham as pernas do meio e traseiras atrofiadas, um exoesqueleto grosso, antenas grandes e patas dianteiras de ataque, como as de um louva-deus. Os pesquisadores acreditam que essas características permitiam que os animais enterrassem parte do corpo no solo aquático para emboscar insetos menores.

Apesar de compartilhar características com outros insetos, os parentes vivos mais próximos do Coxoplectoptera são os efêmeros, animais que morrem após uma breve vida adulta – de duas a três horas -, que serve apenas para reprodução. Nessa fase, eles não comem. Os parentes antigos, contudo, parecem ter sido mais robustos, com comportamento mais parecido com o dos jovens efêmeros, ou seja, caçadores.

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