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Fóssil de 520 milhões de anos é exemplo mais antigo e detalhado do sistema nervoso

Pesquisadores relataram na 'PNAS' que o fóssil poderá auxiliar os cientistas a melhor compreender como o sistema nervoso evoluiu com o passar dos anos

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 15h58 - Publicado em 1 mar 2016, 15h16

Cientistas descobriram um fóssil de 520 milhões de anos, sendo o exemplo mais antigo e detalhado de um sistema nervoso central já identificado. A amostra apresenta até mesmo nervos individuais, que são um tipo de tecido que raramente perdura por tanto tempo. A descoberta, publicada na última edição da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), pode ajudar os pesquisadores a compreender melhor como o sistema nervoso evoluiu com o passar dos anos.

O fóssil do animal, chamado Chengjiangocaris kunmingensis, foi encontrado no sul da China e lembra a estrutura de um camarão. Os cientistas afirmam que fósseis de dentes ou ossos são bastante comuns, no entanto tecidos como o sistema nervoso são raros de ser encontrados após milhões de anos. “Tecidos nervosos são extremamente raros e poucas espécies apresentam traços do cérebro ou do sistema nervoso”, disse o especialista Javier Ortega-Hernández, da Universidade de Cambridge e coautor do estudo.

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De acordo com os pesquisadores, a espécie, que viveu no início da era cambriana e faz parte de um grupo chamado fuxianhuiids, foi descoberta por Hernández e seus colegas há três anos. O que está intrigando os especialistas desta vez é o funcionamento interno desses animais. A pesquisa, que está se apoiando em cinco fósseis individuais, descobriu que o sistema nervoso deles era bem diferente do que o das criaturas modernas que evoluíram dessa espécie, como os insetos, as aranhas e os crustáceos (chamados artrópodes).

Diferenças – Nos artrópodes o sistema nervoso é composto de um cérebro condensado e uma série de gânglios interconectados no sistema nervoso. Cada um desses aglomerados de tecido nervoso controlava um par de patas. No entanto, nesse animal de quase meio bilhão de anos, além de toda esta estrutura – que era idêntica à dos “primos” modernos -, existiam finas fibras de aproximadamente 5 milésimos de milímetro de comprimento. Ao realizar análises mais profundas, a equipe internacional de pesquisadores identificou que essas fibras eram, na verdade, terminações nervosas que foram fossilizadas. A riqueza de detalhes poderá auxiliar os pesquisadores a estudar a evolução desse sistema, responsável pelas funções motoras e neurais do corpo.

Para completar esse quebra-cabeça evolutivo, a equipe depende de outras amostras dessas fibras. Essa, no entanto, deve ser uma tarefa difícil, já que fósseis como os encontrados na China são muito raros. Mesmo assim, a descoberta foi bastante comemorada por Hernández. “Nós temos que ter em mente que cada vertente de nervo que encontramos é dez vezes mais fina que um fio de cabelo. Ser capaz de reconhecer esse nível de detalhes neurológicos é simplesmente incrível”, disse o especialista.

(Da redação)

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