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‘Filhas do DES’ são mais propensas a câncer e infertilidade

As mulheres cujas mães tomaram um estrogênio sintético chamado DES antes de o mesmo ser descontinuado, em 1971, sofrem de uma variedade de problemas de fertilidade e câncer, segundo um estudo publicado no “New England Journal of Medicine”.

Foram examinadas filhas de mulheres expostas durante a gestação ao dietilestilbestrol (DES), que acreditava-se poder reduzir certas complicações durante a gravidez.

O Instituto Nacional do Câncer e outros centros médicos investigaram 6.500 mulheres, entre elas 4.600 expostas ao DES. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que as mulheres que haviam recebido os efeitos do DES dentro do útero têm um risco maior de sofrer de 12 problemas médicos, incluindo um risco duas vezes maior de infertilidade e cinco vezes maior de parto prematuro.

Essas mulheres também tiveram 40 vezes mais chances de desenvolver um câncer vaginal raro que afeta mulheres jovens, chamado adenocarcinoma de células claras, embora o número de casos continue sendo de um em cada mil.

Essa atualização de um estudo feito em 1992 busca otimizar as informações sobre os riscos para a saúde do DES, substância prescrita pela primeira vez em 1940, nos Estados Unidos. Entre 5 milhões e 10 milhões de gestantes e recém-nascidos foram expostos à droga em suas diversas formas, incluindo comprimidos, cremes e supositórios.

“Nosso estudo documenta cuidadosamente o risco elevado para as filhas expostas ao DES de desenvolver uma série de problemas médicos, muitos deles comuns na população em geral”, assinalou o autor do estudo, Robert Hoover, do instituto do câncer que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

“Sem a busca de um câncer muito raro em mulheres jovens, e sem o acompanhamento contínuo de quem esteve exposta, não se conhece o alcance total dos danos causados pela exposição ao DES no útero”, acrescentou Hoover.

O estudo é o primeiro a calcular a proporção acumulada de todas as mulheres expostas ao DES que desenvolveram essas condições devido à exposição, segundo cientistas. A pesquisa concluiu que uma em cada cinco filhas de mulheres expostas ao medicamento irão experimentar algum grau de infertilidade.

Enquanto as primeiras mulheres diagnosticadas com esse câncer incomum na década de 1960 eram adolescentes ou jovens adultas no momento do diagnóstico, a pesquisa mostra agora que o risco das filhas expostas ao DES se mantém, mesmo depois dos 40 anos. Além disso, essas mulheres são duas vezes mais propensas a desenvolver células pré-cancerosas no colo do útero ou na vagina, e têm 80% mais chances de desenvolver um câncer de mama depois dos 40 anos.

Aos 55 anos, segundo os pesquisadores, uma em cada 25 filhas de mulheres que tomaram o DES irá desenvolver alterações celulares anormais no colo do útero ou na vagina, e uma em cada 50 terá câncer de mama devido à exposição à substância.

O estudo não avaliou os filhos homens expostos ao DES no útero, mas relatórios anteriores apontam um risco maior de certas anomalias testiculares.