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Estudos contradizem pesquisa sobre ‘bactéria E.T.’

Dois estudos publicados na revista 'Science' refutam descoberta feita em 2010 de organismo que supostamente substituiria o fósforo, elemento fundamental à vida, por arsênio

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h30 - Publicado em 10 jul 2012, 19h53

A descoberta alardeada com pompa pela Nasa em dezembro de 2010 de uma bactéria capaz de substituir o fósforo por arsênio – o componente central do veneno arsênico -, que abriu a possibilidade de haver formas de vida diferentes das que conhecemos, estava errada. Dois novos estudos publicados neste domingo, na mesma revista em que foi anunciada a descoberta da Nasa – a Science -, apontam que a bactéria não consegue substituir o fósforo por arsênio e sobreviver. O trabalho original tinha notado que havia em suas amostras uma pequena presença de fósforo, mas concluiu que ela não era suficiente para fazer diferença na sobrevivência da GFAJ-1. As novas pesquisas dizem que é essa contaminação que permite seu crescimento.

Uma simples bactéria

Descoberta alardeada pela Nasa em 2010 é contestada nas páginas da mesma revista que publicou o estudo

2 de dezembro de 2010

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Nasa mobiliza a imprensa para divulgar uma bactéria para lá de especial: em vez de usar o fósforo (um dos constituintes fundamentais à vida) em seu DNA, o organismo usaria o arsênio em seu metabolismo. Se a descoberta fosse verdade, isso alteraria profundamente o modo como a ciência reconhece a vida na Terra e em outros planetas. A ciência reconhece que os elementos necessários à vida são o oxigênio, hidrogênio, carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo.

3 de fevereiro de 2012

Rosemary Redfield, cientista canadense, publica uma série de análises em seu site pessoal contestando os resultados divulgados pela Nasa. O material foi colocado à disposição dos editores da revista Science e inflamou ainda mais às discussões científicas em torno da descoberta.

8 de julho de 2012

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A revista Science publica dois estudos, um deles coautorado por Rosemary Redfield, mostrando que a bactéria GFAJ-1 é resistente ao arsênio e consegue sobreviver com quantidades muito pequenas de fósforo. Os estudos também contestam a presença de arsênio no DNA do organismo.

A bactéria GFAJ-1 é, portanto, muito terráquea, como todas as outras. A pesquisa foi duramente criticada por especialistas. A réplica padrão oferecida pela equipe da Nasa era: “Publiquem uma contestação sob a forma de um estudo científico.” Foi o que aconteceu.

Vida extraterrestre – A Science publicou em dezembro de 2010 o primeiro estudo, do grupo liderado por Felisa Wolfe-Simon, do Instituto de Astrobiologia da Nasa. Os pesquisadores tinham analisado a bactéria GFAJ-1, encontrada nos sedimentos ricos em arsênio do lago Mono, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Eles propuseram que o organismo era capaz de usar arsênio em seu metabolismo, substituindo o fósforo de seu DNA e de outras moléculas por pequenas quantidades do elemento. Apesar de ser tóxico para os organismos, suas propriedades químicas são similares às do fósforo. A descoberta, que chegou a ser anunciada como “bactéria extraterrestre”, seria particularmente relevante por quebrar um dos principais paradigmas da vida.

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Todos os seres conhecidos dependem de seis elementos para existir: oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, enxofre e fósforo. A possibilidade de substituir o último por arsênio significaria que a condição básica para a existência de vida poderia ser diferente, de modo que talvez fosse possível encontrá-la em outros planetas.

(Com Agência Estado)

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