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Estudo mostra que tubarões têm personalidades distintas

Os pesquisadores observaram que esses animais podem ser mais “sociáveis” e se organizarem em grupos, ou podem decidir se camuflarem sozinhos

Um novo estudo mostrou que tubarões podem ter personalidades distintas, que afetam a forma como eles se relacionam. Os pesquisadores observaram que esses animais podem ser mais “sociáveis” e se organizarem em grupos, ou podem decidir se camuflarem sozinhos. A pesquisa foi feita em grandes tanques da Associação de Biologia Marinha da Grã-Bretanha e publicada na quarta-feira no periódico Behavioural Ecology and Sociobiology.

Foram observados dez grupos de tubarões da espécie Scyliorhinus canícula, cada um composto por dez indivíduos, em ambientes diferentes, ora em tanques com muitas pedras e outros elementos, ora apenas com cascalho no fundo. Os cientistas notaram que, apesar de o número e o tamanho de subgrupos entre os tubarões de cada tanque variar junto com a mudança de ambiente, os indivíduos que tendiam a formar grupos grandes continuaram com o mesmo comportamento, independentemente da situação em que se encontravam. Os tubarões mais “antissociais”, por sua vez, também se mantiveram solitários ou em grupos pequenos.

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“Os resultados foram provocados por diferentes preferências sociais [dos tubarões], que parecem refletir estratégias distintas para se manter em segurança. Indivíduos menos sociáveis tendiam a se camuflar sozinhos”, diz David Jacoby, ecologista comportamental do Instituto de Zoologia de Londres e principal autor do estudo. William Hughes, especialista em comportamento animal da Universidade de Sussex, que não participou da pesquisa, disse à BCC estar impressionado com o nível de detalhamento dos resultados apresentados. Ele comparou o que foi feito na pesquisa a um equivalente humano, dizendo que seria como analisar dez estudantes universitários em um bar, uma balada e no ambiente de trabalho, vendo com quantas pessoas eles se relacionavam e que tipo de grupos formavam.

Ainda de acordo com o pesquisador, mudanças no estudo do comportamento animal na última década levaram ao acúmulo de evidências desse tipo para diversas outras espécies. “É provável que todos os animais apresentem isso, em alguma medida”, afirma.