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Estudo liga insatisfação sexual da mulher à influência da pílula na escolha do parceiro

Cientistas verificam que satisfação sexual é menor entre mulheres que escolheram seu parceiro sob efeito de métodos contraceptivos hormonais

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h57 - Publicado em 12 out 2011, 16h51

A pílula anticoncepcional pode influir na escolha do parceiro, e isso se reflete na vida sexual das mulheres. É o que sugere um estudo realizado no Reino Unido e publicado hoje na revista Proceedings of The Royal Society B. Os cientistas da Universidade de Stirling verificaram que a satisfação sexual é menor entre mulheres que escolheram seu parceiro sob o efeito de métodos contraceptivos hormonais. Já entre as mulheres que não tomavam pílula no início de um relacionamento, a pesquisa constatou que a satisfação sexual é mais intensa, e os relacionamentos, menos duradouros.

A equipe do psicólogo Craig Roberts entrevistou mais de 2.500 mulheres, todas mães. Destas, 1.000 tomavam pílula quando conheceram o futuro pai de seus filhos. Este grupo se disse feliz com o relacionamento – citando razões como a fidelidade do parceiro e a estabilidade financeira -, mas relatou menor satisfação sexual. Já o grupo de mulheres que não tomavam pílula na hora de escolher o parceiro relatou maior satisfação na cama – e menor entusiasmo com a convivência ao lado do parceiro. Em média, os relacionamentos deste segundo grupo duravam dois anos menos.

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MHC

O Complexo Principal de Histocompatibilidade (Major Histocompatibility Complex, MHC, em inglês) é a região do genoma na qual ficam vários genes relacionados à resposta imunológica, responsáveis por gerar, em cada pessoa, uma individualidade biológica. Essa variação amplia as chances de o indivíduo ser resistente a doenças. Acredita-se que, inconscientemente, através de cheiros, traços morfológicos e outros fatores, as pessoas escolham como parceiros justamente quem tenha um MHC bem diferente do próprio. Seria uma forma de gerar descendentes mais aptos a sobreviver às infecções causadas pelos vírus, bactérias e parasitas.

Uma possível explicação para os resultados, já sugerida em pesquisas anteriores, passa pela variação das preferências femininas durante o ciclo menstrual. Em seu período fértil, mulheres tendem a se sentir atraídas por parceiros com características mais masculinas – maior vigor físico, por exemplo. Findo o período fértil, as mulheres fixam-se em homens aparentemente mais carinhosos e bons provedores.

O mecanismo que governa a escolha feminina de parceiros ainda é pouco conhecido dos cientistas. Acredita-se que o processo esteja relacionado a um grupo de genes chamado Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês). A estes genes se credita a atração por parceiros geneticamente diferentes, de que resulta uma descendência com maior variedade genética.

É óbvio que nenhuma mulher faz exames genéticos para determinar o MHC de prováveis parceiros. De maneira inconsciente, as mulheres escolhem parceiros com MHC o mais diferente possível. A escolha se dá instintivamente, por meio de traços físicos, odores e outros fatores. O que a nova pesquisa indica que é os métodos contraceptivos hormonais podem suspender esta tendência e embaralhar os sinais, levando a mulher a buscar um parceiro de MHC mais próximo do dela. Isso pode levar a uma menor satisfação sexual, mas vai garantir um parceiro mais confiável.

“Se os hormônios afetam a escolha dos parceiros, precisamos prestar atenção nisso”, disse Roberts, em entrevista ao jornal inglês The Guardian.

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