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Estudo ajuda a explicar por que as pessoas sentem cheiros de formas diferentes

Pesquisadores descobriram que cerca de 30% dos receptores olfativos presentes no organismo humano variam de uma pessoa para outra

Um novo estudo encontrou uma possível explicação para o motivo pelo qual as pessoas sentem cheiros de formas tão diferentes: pesquisadores descobriram que cerca de 30% dos receptores olfativos variam de uma pessoa para outra. A pesquisa foi publicada no periódico Nature Neuroscience, neste domingo.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The missense of smell: functional variability in the human odorant receptor repertoire

Onde foi divulgada: periódico Nature Neuroscience

Quem fez: Joel D Mainland, Andreas Keller, Yun R Li, Ting Zhou, Casey Trimmer, Lindsey L Snyder, Andrew H Moberly, Kaylin A Adipietro, Wen Ling L Liu, Hanyi Zhuang, Senmiao Zhan, Somin S Lee, Abigail Lin e Hiroaki Matsunami

Instituição: Monell Chemical Senses Center, EUA

Resultado: Pesquisadores descobriram que cerca de 30% dos receptores olfativos variam de uma pessoa para outra

O corpo humano possui cerca de 400 tipos diferentes de receptores olfativos, que trabalham juntos para identificar diferentes cheiros. Para os cientistas, ainda é um mistério como os padrões de atividade dos receptores são traduzidos em sinais que o cérebro registra como odores.

O problema fica ainda mais complexo levando em consideração que a sequência de aminoácidos que forma cada um dos 400 receptores pode variar, e essas diferenças, que alteram a forma como as pessoas respondem aos odores, são tão distribuídas de forma que cada indivíduo tem uma combinação única de receptores.

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Pesquisa – Para descobrir como essa variação afeta a percepção de odores no ser humano, pesquisadores dos Estados Unidos, liderados por Joel D. Mainland, do Monell Chemical Senses Center, clonaram 511 variantes conhecidas de receptores olfativos e testaram 73 moléculas de odor em todos eles. Esse processo levou à identificação de 28 variantes nos receptores que respondiam a pelo menos uma das moléculas.

A partir daí, usando previsões estatísticas, os pesquisadores conseguiram estimar que, entre duas pessoas quaisquer, os receptores olfativos variam em cerca de 30%. Isso significa que dois indivíduos escolhidos aleatoriamente teriam cerca de 140 dos 400 receptores diferentes entre si na forma de responder às moléculas de odor.

Para verificar como uma diferença em um único receptor afeta a percepção de odores, os autores estudaram dois voluntários que tinham um receptor chamando OR10G4 diferentes entre si. Os resultados mostraram que eles interpretavam o cheiro de fumaça também de formas diferentes.

Atualmente, Mainland está trabalhando com sua equipe em um estudo que vai analisar a forma como centenas de pessoas respondem a odores. Com isso, os pesquisadores vão poder identificar, de forma mais abrangente, como as mudanças nos receptores afetam a percepção de odor.