Estudantes de 11 a 12 anos que usaram redes sociais tiveram resultados piores que colegas, segundo novo estudo
Pesquisa italiana analisou dados de uso das redes sociais com jovens em idade escolar entre 2023 e 2024
Na Itália, estudantes dos 11 aos 16 anos foram o foco de um estudo observacional que buscava entender o quanto a presença deles nas redes sociais impactava em seu aprendizado. Como resultado, os pesquisadores descobriram que as crianças entre 11 e 12 anos que entravam nas redes nessa época acabavam com resultados piores em Matemática e Italiano, em comparação com colegas que esperaram para se aventurar nas plataformas em anos posteriores. A pesquisa foi publicada nesta semana na Nature Human Behaviour.
Organizado por pesquisadores da Universidade de Milano-Bicocca e da Universidade de Brescia, o estudo analisou um conjunto de dados coletados entre 2023 e 2024 sobre o uso de redes sociais de jovens em idade escolar. As informações, comparadas com as notas dos estudantes em Italiano, Inglês e Matemática, foram essenciais para que o estudo chegasse à sua conclusão principal: os alunos de 11 a 12 anos que entraram durante esse período da vida nas redes, acabaram com notas menores em Italiano e Matemática poucos anos depois. De acordo com os especialistas, a diferença era equiparada a seis meses a mais de escolaridade, para aqueles que não entraram em redes como o Facebook, Instagram e TikTok mais cedo.
Apesar dos fatos, o estudo não observou mudanças nas notas dos estudantes em Inglês. Segundo os especialistas, esse fato poderia ter ocorrido exatamente pelo uso extenso das redes sociais, já que boa parte do conteúdo da internet é publicado em inglês. O processo teria causado um tipo de aproximação indireta com a língua, o que explicaria as notas não terem mudado.
Cautela nos resultados
Outras análises da pesquisa identificaram que os estudantes que checavam os celulares com mais frequência também estavam mais propensos a terem criado contas mais cedo, a alcançarem notas inferiores em Italiano e Matemática e a uma supervisão parental menor com relação ao uso da internet. Apesar dos achados, os pesquisadores reiteram que o estudo é observacional, e seus dados devem ser interpretados com cautela.
Apesar de ser um estudo robusto, outros especialistas da área observaram as conclusões e explicam em quais áreas a pesquisa é deficitária. Segundo a professora da Universidade de Canbury Cara Swit, a análise é uma evidência importante sobre o uso de redes sociais pelos jovens, e “é mais forte que outros estudos transversais porque observa os estudantes durante o tempo e compara suas mudanças acadêmicas”. Apesar disso, o fato de a “régua” principal da pesquisa ser a idade em que eles entraram nas redes, e não seu padrão de uso, atrapalha os fatos.
“Essa distinção é importante”, explica. “A pesquisa não pode nos explicar com precisão com que frequência os estudantes usaram as redes, o que eles fizeram em cada plataforma ou se seu uso foi ativo, passivo, educacional ou perigoso”. Para a especialista, as redes não são uma experiência única, e por isso diferentes vivências podem gerar resultados diversos. Agrupar redes diferentes, como o Facebook, o Instagram e o TikTok também não contribui. “Isso arrisca ocultar diferenças importantes entre as plataformas e atividades”, finaliza.






