Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

Especialista: Em breve, exames de sangue identificarão o Alzheimer

Eduardo Zimmer, professor de farmacologia da UFRGS, afirma que será muito mais fácil diagnosticar a demência no futuro próximo

Por Sabrina Brito Atualizado em 16 dez 2021, 17h33 - Publicado em 16 dez 2021, 17h32

Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente, cerca de 55 milhões de pessoas convivem com a demência, sendo o mal de Alzheimer uma de suas formas mais comuns. O diagnóstico costuma ser feito depois do aparecimento dos sintomas, o que significa que o doente já está praticamente condenado a conviver com o mal até a morte.

De acordo com o professor de farmacologia da UFRGS Eduardo Zimmer, no futuro próximo, será possível identificar a presença do mal de Alzheimer por meio de exames de sangue mais de dez anos antes do surgimento dos primeiros sintomas. Com isso, o tratamento e a mitigação da doença podem ser facilitados, embora a cura ainda pareça estar longe. VEJA conversou com Zimmer sobre o assunto.

O Alzheimer é um problema sério no Brasil?

A grande maioria dos casos de demência do Brasil ainda não foram corretamente identificados. Um artigo de 2015 sugeriu que 77% das pessoas que vivem com demência no país ainda não foram diagnosticadas. Eu estimaria que são cerca de 2,5 milhões de indivíduos com a doença no país.

O que mudou recentemente na identificação do Alzheimer?

Antigamente, só conseguíamos diagnosticar a doença após a morte. Em 2004, houve uma revolução que resultou no desenvolvimento de exames de imagem capazes de reconhecer placas e emaranhados no cérebro que significam que o paciente tem Alzheimer. O problema é que esses exames são caros e complexos. Em 2020, foi descoberta uma série de marcadores sanguíneos capazes de identificar esses sinais.

O que isso significa para a medicina?

Continua após a publicidade

Basicamente, significa que, em cerca de cinco anos, teremos acesso a exames sanguíneos não invasivos capazes de apontar quando um paciente desenvolverá Alzheimer mais de uma década antes da aparição dos primeiros sintomas. Esse tipo de exame poderia ser aplicado por todo o mundo, por todo o Brasil – algo inviável com os exames atuais, que exigem muita tecnologia e técnica.

Qual seria a importância desse novo exame?

Atualmente, sabemos muito pouco sobre a prevalência do Alzheimer em casos pré-clínicos, ou seja, antes do surgimento de sintomas. Podemos estar frente a uma pandemia silenciosa, pouco conhecida, e, consequentemente, não estamos nos preparando para isso. Identificar a doença 15, 20 ou 25 anos antes de sua manifestação faz com que a janela temporal de intervenção médica seja muito maior, e, assim, será muito mais fácil ajudar os pacientes.

Como é possível ajudar pacientes com Alzheimer se ainda não há remédio para a doença?

Ainda que não tenhamos medicamentos curativos, sabemos que existem estratégias não farmacológicas que podem ser essenciais para impedir o declínio cognitivo. Isso envolve exercícios, alimentação saudável, vida social, entre outras práticas. Tudo isso tem um efeito importante para tentar evitar que o paciente entre na fase sintomática da doença. Por isso, identificá-la o quanto antes é fundamental.

No futuro próximo, o Alzheimer será um problema menor do que é hoje?

O Alzheimer ainda é algo para se preocupar, e será assim até que desenvolvamos uma estratégia curativa. Mas é importante perceber como nós evoluímos em relação à doença. Antigamente, só conseguíamos diagnosticá-la após o falecimento. Agora, o diagnóstico pode vir antes dos primeiros sintomas. Estamos caminhando para uma mudança de paradigma enorme em relação à demência. Esse progresso é muito interessante de acompanhar.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês