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Erupções vulcânicas são associadas aos anos das ‘trevas’ na Idade Média

Os efeitos combinados das duas erupções ocorridas no século VI baixaram em dois graus a temperatura, o que produziu a década mais fria em 2 000 anos

Por Da Redação
Atualizado em 6 Maio 2016, 15h57 - Publicado em 21 abr 2016, 12h21

Duas erupções vulcânicas seguidas ocorridas em meados do século VI escureceram os céus da Europa durante mais de um ano e podem ter contribuído para esfriar o clima, em um período conhecido como os anos das trevas, revela um estudo que será apresentado na próxima sexta-feira, em Viena.

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Segundo Matthew Toohey, diretor do trabalho realizado pelo Instituto Oceanográfico alemão Geomar, com sede em Kiel, qualquer das duas erupções poderia ter gerado um resfriamento significativo da superfície da Terra.

Os dois eventos, ocorridos nos anos 536 e 540, “foram provavelmente as erupções vulcânicas mais fortes a afetar o hemisfério norte nos últimos 1.500 anos”, disse Toohey à AFP durante uma reunião da União Europeia de Geociências.

Os efeitos combinados das duas erupções baixaram em dois graus a temperatura, o que produziu a década mais fria em 2.000 anos. A baixa luminosidade provocada pelas partículas suspensas na estratosfera deve ter produzido impactos devastadores sobre a agricultura, desencadeando fome na Europa e nas zonas adjacentes.

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A primeira praga pandêmica no continente ocorreu um ano após a segunda erupção, mas não é possível relacionar o inverno vulcânico à expansão da doença, afirmam Toohey e seus colegas do estudo publicado na revista Climatic Change.Estes dois fenômenos coincidem com um pivô histórico entre o fim da Antiguidade e o início da Idade Média, um período conhecido historicamente como os anos das trevas.

O estudo tem um enfoque polêmico, já que combina ciências físicas com arqueologia e história, em uma pesquisa interdisciplinar pouco comum. Muitos relatos, como o do historiador bizantino Procopio de Cesarea, que viveu em Roma, descrevem uma “nuvem misteriosa” que cobriu os céus no ano 536. “O Sol emitiu uma luz sem brilho, como a da Lua, durante todo o ano”, escreveu o historiador.

Os registros históricos fazem menção a uma fome devastadora nos anos seguintes e ao colapso de várias estruturas sociais na Europa. Na China, os historiadores também registraram um fenômeno climático após o qual ocorreram perdas de safras e fome. Até recentemente, os pesquisadores não haviam obtido evidências de que a redução da luz solar era resultado de duas erupções vulcânicas, mas a análise de camadas de gelo nos polos esclareceu várias dúvidas. Pesquisas encontraram na Groenlândia e na Antártida partículas da atmosfera do passado, o que permite datar as erupções e situá-las, neste caso uma no hemisfério norte e outra nos trópicos.

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(Com AFP)

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