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Erupções vulcânicas ajudaram a derrubar antigo Egito, diz estudo

Partículas de cinzas foram lançadas na estratosfera, bloqueando a luz do Sol e afetando nascentes que abasteciam o rio Nilo

Por Da redação - 18 out 2017, 17h48

Fragmentos lançados por vulcões há 2.000 anos bloquearam a luz do Sol, afetando nascentes que alimentavam o rio Nilo e acelerando a queda do último reino do antigo Egito. É isso que sugere um novo estudo divulgado nesta terça-feira na revista científica Nature Communications. De acordo com a pesquisa, erupções nos séculos III e I a.C. coincidiram com perdas de colheitas, revoltas em grande escala e a retirada de exércitos egípcios do campo de batalha, mas só agora os pesquisadores conseguiram encontrar uma correlação entre esses eventos.

“As erupções vulcânicas podem ter tido um papel central no eventual colapso da dinastia ptolemaica”, observou a revista em um resumo do estudo, fazendo referência à dinastia que teve como última representante a famosa líder egípcia Cleópatra. As descobertas, segundo os autores, também põem em evidência o risco atual de que fontes de poluição injetem bilhões de pequenas partículas na estratosfera (assim como um vulcão), bloqueando raios solares e causando consequências igualmente sérias.

“A vulnerabilidade ptolemaica às erupções vulcânicas sugere uma cautela para todas as regiões agrícolas dependentes de monções – ventos associados à alteração entre períodos de chuva e seca -, que hoje incluem 70% da população mundial, escreveram os autores.

O império ptolemaico começou em 305 a.C., pouco depois da morte de Alexandre, o Grande, e terminou em 30 a.C. com o suicídio de Cleópatra. Depois disso, a região se tornou uma província romana. O reino prosperou, alimentado pelo Nilo, rico em sedimentos, que no verão transbordava em direção a uma vasta rede de campos de grãos. Um sistema engenhoso de canais e barragens armazenava a água depois que o rio recuava, em setembro.

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Revoltas violentas

“Quando as cheias eram boas, o Vale do Nilo era um dos lugares de maior produção agrícola do mundo antigo”, disse Francis Ludlow, historiador do clima no Trinity College Dublin, na Irlanda, e coautor do estudo. Mas em alguns anos, o rio não subiu e os problemas apareceram.

Com base em modelos climáticos, núcleos de gelo da Gronelândia e escritos egípcios antigos, pesquisadores liderados pelo historiador Joseph Manning, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, compuseram uma narrativa que mostrou um vínculo claro desses problemas com grandes erupções vulcânicas em todo o mundo.

Em 245 a.C., por exemplo, o governante Ptolomeu III abandonou de repente e inexplicavelmente uma campanha militar bem-sucedida contra o seu inimigo, o Império Selêucida, na região que atualmente compreende a Síria e o Iraque. “Esta reviravolta mudou tudo na história do Oriente Médio”, disse Manning.

Os registros históricos também apontaram para a escassez simultânea de alimentos devido à cheia insuficiente do Nilo, assim como para insurreições violentas no Reino Ptolemaico, que se estenderam pelo nordeste da África e partes do Oriente Médio. Uma confluência semelhante de agitação social, doenças e fome atingiu o império em suas duas últimas décadas – e ambos os períodos turbulentos coincidiram com grandes erupções vulcânicas, descobriram os pesquisadores.

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A partir de registros mais recentes, os cientistas sabem que as dezenas de milhões de toneladas de partículas de dióxido de enxofre ejetadas na atmosfera superior por uma grande erupção podem evitar que as monções se movam longe o suficiente para encharcar completamente o planalto etíope, que alimenta o Nilo.

Isso aconteceu quando os vulcões Eldgjá e Laki, na Islândia, entraram em erupção, em 939 e 1783, respectivamente. O Nilômetro islâmico, um registro dos níveis de água do Nilo desde 622, mostrou um impacto correspondente no rio.

“As erupções vulcânicas não causaram estas revoltas (sociais) por si só”, disse Ludlow. “Mas elas provavelmente adicionaram combustível às tensões econômicas, políticas e étnicas existentes”.

(Com AFP)

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