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Egípcios eram enterrados em caixões reciclados, revela pesquisa

Em exposição comemorativa no museu Fitzwilliam, na Inglaterra, cientistas mostram como artesãos do antigo Egito reaproveitavam a madeira de antigas tumbas, obtida de ladrões de túmulos

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 15h58 - Publicado em 22 fev 2016, 15h56

Egípcios antigos utilizavam tumbas feitas da madeira reaproveitada de antigos caixões, revelou um trabalho arqueológico que será exposto no museu Fitzwilliam, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. De acordo com os pesquisadores, a “reciclagem” de caixões era uma prática do Egito antigo. Como a madeira era valiosa na região, os artesãos que confeccionavam as suntuosas tumbas possivelmente obtinham o material de ladrões de túmulos e personalizavam as tábuas a cada novo enterro. A descoberta faz parte da exposição Death on the Nile (Morte no Nilo, em tradução livre), que estudou como o design das tumbas egípcios se modificou ao longo de 4.000 anos e será aberta nesta terça-feira em comemoração aos 200 anos do museu.

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Segundo o time de curadores da exposição, ladrões de túmulos possivelmente abriam as covas e saqueavam, além das joias e objetos de valor enterrados, a madeira dos caixões. A partir dessa nova descoberta, os especialistas acreditam que, provavelmente, a madeira era um material ainda mais precioso do que as joias.

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“A parte interna de um dos caixões é feita de uma multidão de peças de madeira, incluindo partes de, ao menos, um caixão mais antigo. As evidências do reuso incluem cortes em buracos de antigas cavilhas (pinos de madeira), que foram preenchidos ou aumentados, fazendo remendos para mudar o perfil dos caixões. A madeira era preciosa e os artesãos eram incrivelmente habilidosos para fabricar esses objetos complexos de materiais iniciais de qualidade talvez não muito boa”, afirma Julie Dawson, que faz parte da equipe de curadoria da exposição, em comunicado do museu.

Evidências do saque – Um dos sarcófagos expostos pertencia, provavelmente, a um sacerdote chamado Nesawershefyt, chefe de escribas no templo de Amun-Ra, em Tebas, que viveu há cerca de 3.000 anos. Essa tumba havia sido confeccionada antes da morte do sacerdote e teve os desenhos e inscrições modificados para que evidenciassem as realizações de Nesawershefyt. Utilizando raios-X e um equipamento para escanear a tumba (essas análises foram feitas em um dos hospitais universitários de Cambridge), os pesquisadores encontraram evidências de que havia ali pedaços de uma tumba antiga, colada com linho, barro e palha.

De acordo com os pesquisadores, ainda não se sabe se os egípcios tinham conhecimento, ao escolher seus caixões, que eles eram de segunda mão, ou se as tumbas recicladas eram mais baratas.

Além das marcas dessa reciclagem, a equipe também encontrou impressões digitais do artesão que confeccionou a tumba. Elas indicam que o artesão manuseou a parte interna da tumba antes que o verniz secasse, deixando suas digitais. Segundo os pesquisadores, essas marcas tão detalhadas nos colocam mais próximos da antiga civilização – e podem ainda trazer novas descobertas sobre o passado egípcio.

(Da redação)

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