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“Ecos” do Big Bang podem ser poeira espacial

Relatório feito por mais de 200 cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) conclui que forte influência de poeira cósmica pode ter confundido cálculos que levaram à detecção das ondas gravitacionais

As ondas gravitacionais, algo como “ecos” do Big Bang que em março cientistas do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, anunciaram ter detectado, podem não passar de poeira espacial. Um relatório divulgado nesta segunda-feira, assinado por mais de 200 cientistas usando dados do telescópio Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), concluiu que havia no cosmo poeira suficiente para produzir as minúsculas distorções no campo gravitacional do universo que foram interpretadas como evidências do Big Bang.

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Em março, cientistas do Harvard-Smithsonian, em conjunto com pesquisadores da Universidade Stanford e do Instituto de Tecnologia da Califórnia, usaram dados do telescópio Bicep (Background Imaging of Cosmic Extragactic Polarization), no Polo Sul, e anunciaram ter identificado os “ecos” do Big Bang. A novidade foi saudada como uma das grandes revelações da física – pois traria as evidências que faltavam para confirmar o Big Bang e para comprovar a teoria da inflação cósmica, segundo a qual o universo viveu uma expansão grande, rápida e uniforme em sua origem. As ondas gravitacionais foram previstas em 1916 pela Teoria da Relatividade de Albert Einstein e, até então, era o único elemento da teoria ainda sem comprovação.

No entanto, o anúncio das ondas gravitacionais tem sido criticado por astrônomos de todo o globo. Equipes diferentes de pesquisadores fizeram novas análises dos dados, que foram publicadas em plataformas online, e concluíram que a influência da poeira cósmica pode ter sido forte o suficiente para confundir os cálculos. O estudo divulgado nesta segunda-feira, submetido ao periódico Astronomy & Astrophysics, vinha sendo bastante aguardado pela comunidade astronômica, pois o telescópio Planck foi concebido em 2009 pela ESA para ajudar a entender melhor o início e o destino do universo.

“É bastante possível que os resultados do Biceps possam ser explicados apenas pela poeira cósmica”, afirmou ao jornal britânico The Guardian a astrofísica Jo Dunkley, membro do projeto Planck na Universidade de Oxford, na Inglaterra. “Nosso trabalho não elimina a possibilidade da existência de ondas gravitacionais, mas há poeira cósmica e parece que há mais do que imaginávamos.” No novo relatório, os cientistas alertam para a necessidade de um esforço conjunto entre os cientistas do projeto Planck e do Biceps para que os cálculos possam ser feitos da maneira mais precisa possível.