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Dragon faz história ao completar primeiro voo comercial à ISS

Elvira Palomo.

Washington, 31 mai (EFE).- A cápsula não-tripulada Dragon, da empresa americana SpaceX, entrou nesta quinta-feira para a história espacial ao completar, com seu retorno à Terra, a primeira missão comercial de abastecimento à Estação Espacial Internacional (ISS).

A espaçonave amerissou no Oceano Pacífico a centenas de quilômetros a oeste da península da Baixa Califórnia (México) às 12h42 (de Brasília), dois minutos antes do previsto, informou o centro de controle de missão da agência espacial americana (Nasa) em Houston.

Assim foi dado o ponto final a uma missão que inicia um novo capítulo na história da exploração espacial, no qual podem ser feitas operações de abastecimento pelo setor privado, e espera-se que, em um futuro não muito distante, também seja possível que empresas façam missões tripuladas.

‘Estou muito feliz de ter feito um bom trabalho para a Nasa’, afirmou o empresário Elon Musk, que criou em 2002 a companhia SpaceX, da qual é executivo principal e projetista-chefe, e que também é conhecido por ser cofundador do sistema de pagamentos pela internet PayPal.

Em entrevista coletiva na qual demonstrou satisfação e alívio, Musk afirmou que a missão cumpriu suas expectativas, e que ele espera continuar melhorando a cápsula para alcançar seu objetivo de realizar viagens tripuladas.

‘Agora temos muitos desafios, estamos concorrendo para enviar astronautas e desenvolvendo novas tecnologias para ter a capacidade de aterrissar em terra’, explicou.

O diretor da Nasa, Charles Bolden, parabenizou em comunicado a equipe conjunta de SpaceX e Nasa por seu ‘grande êxito’ na missão que ‘inicia uma nova era nos voos espaciais comerciais dos EUA’ e torna ‘mais acessível’ a ida à ISS e a outros destinos na órbita baixa terrestre para ‘todos os que sonham em viajar ao espaço’.

A Dragon, que levou 460 quilos de carga em seu primeiro voo de abastecimento, ficou acoplada 5 dias, 16 horas e 5 minutos à estação espacial e trouxe à Terra outros 600 quilos de carga, algo que até agora outros veículos não podiam fazer.

A cápsula separou-se do complexo espacial às 5h07 (de Brasília), e os astronautas da ISS fizeram uma manobra com o braço robótico da estação para desacoplá-la antes de ela ser solta no espaço.

O veículo entrou na atmosfera como um ‘cometa ardendo’ protegido das temperaturas extremas por seu potente escudo, similar ao modelo desenvolvido pela Nasa nos anos 90.

Pouco depois, a nave abriu seus dois paraquedas alaranjados, de 35 metros de diâmetro cada, para frear sua queda e facilitar sua identificação no mar. A SpaceX havia preparado um navio de 56 metros de comprimento equipado com um guindaste de 24 metros e dois botes para recuperar a cápsula.

Segundo Musk, a cápsula está em bom estado e será levada a um porto próximo de Los Angeles, de onde seguirá para as instalações de testes da companhia em McGregor, no Texas.

A Dragon é uma nave espacial de voo livre e reutilizável com forma arredondada de 3,66 metros de diâmetro e 4,4 metros de altura, com uma envergadura de mais de 16 metros quando está com seus painéis solares abertos.

Com capacidade de até 3,21 toneladas de carga, a cápsula foi projetada pela SpaceX para que, em um futuro, com algumas remodelações, possa se transformar em um veículo tripulado, com espaço para sete passageiros. A companhia tem um contrato com a Nasa no valor de US$ 1,6 bilhão por 12 voos espaciais.

Este é um marco para a indústria espacial americana, já que, após a aposentadoria dos ônibus espaciais da Nasa no ano passado, o transporte de carga e tripulantes estava nas mãos das naves russas Soyuz, que cobram mais de US$ 60 milhões pelo envio de cada astronauta. EFE