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Dois planetas semelhantes à Terra não existem, diz estudo

Em análise publicada no site da revista 'Science', cientistas refizeram seus cálculos e descobriram que Gliese 581d e Gliese 581g podem não passar de manchas estelares

​Cientistas americanos informaram nesta quinta-feira que dois planetas fora do Sistema Solar anunciados como muito semelhantes à Terra não existem. Em estudo publicado no site da revista Science, pesquisadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, refizeram os cálculos astronômicos e descobriram que os sinais que foram percebidos como planetas podem ser, na verdade, resultados de manchas ou erupções estelares.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Stellar activity masquerading as planets in the habitable zone of the M dwarf Gliese 581

Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: Paul Robertson, Suvrath Mahadevan, Michael Endl, Arpita Roy

Instituição: Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA

Resultado: Os pesquisadores analisaram os dados dos candidatos a planetas Gliese 581d e Gliese 581g e descobriram que eles não existem – são atividades estelares

A revelação chega ao final de uma temporada de recuos científicos. Na última quarta-feira, a revista Nature assumiu que pesquisa revolucionária sobre células-tronco continha erros. Em junho, já havia publicado em seu site uma notícia citando duas análises em que cientistas da Universidade de Princeton e da Universidade da Califórnia em Berkeley questionam seriamente a detecção das ondas gravitacionais produzidas pelo surgimento do universo, anunciadas em março, que seriam um avanço na confirmação do Big Bang.

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Planetas de mentira – O par dos supostos planetas orbitaria a estrela anã Gliese 581, localizada na constelação de Libra, a cerca de 22 anos-luz da Terra (cada ano luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros). Ela recebeu muita atenção em 2007, quando os cientistas anunciaram que, ao seu redor, existia o primeiro planeta fora do Sistema Solar localizado em zona habitável, uma faixa nem muito próxima nem muito distante da estrela, o que faz com que suas temperaturas não sejam extremas. Isso significa que planetas nessa área podem abrigar água na forma líquida, condição fundamental para a existência de vida em sua crosta.

Era do caso de Gliese 581d, anunciado em 2007 como provável irmão da Terra, e de Gliese 581g, anunciado em setembro de 2010. Este último nunca havia ultrapassado o estado de candidato – para efeito de comparação, sozinha, a sonda Kepler, lançada em março de 2009 pela Nasa para detectar planetas parecidos com o nosso, conta com 4 234 candidatos a planetas, dos quais 977 foram confirmados pelos astrônomos.

Todos eles estão muito distantes para serem observados sem o apoio de telescópios e são descobertos por meio de duas técnicas. Uma delas é a usada pela missão Kepler, em que os astrônomos medem a quantidade de luz que chega ao instrumento e, se ela diminui em intervalos iguais, isso indica a existência de um possível planeta. É assim que os cientistas são capazes de estimar informações como seu tamanho ou composição.

Outra forma é uma técnica chamada “velocidade radial Doppler”, usada no estudo da Science. Com ela, os pesquisadores captam a luz estelar e analisam seus comprimentos de onda. O método pode, inclusive, revelar a massa de um planeta.

Com ele, os cientistas mostraram que, além de planetas, outras atividades cósmicas podem gerar a alteração registrada pelos telescópios. Em outras palavras, os campos magnéticos ou as manchas solares podem ter interferido no sinal que os astrônomos estavam interpretando.

“O que acreditávamos anteriormente que fosse um sinal planetário foi causado por uma atividade estelar”, disse Suvrath Mahadevan, um dos autores do estudo, professor assistente do departamento de Astronomia e Astrofísica da Universidade do Estado da Pensilvânia.

Mahadevan disse que são necessários mais pesquisas e análises para determinar quantos planetas semelhantes à Terra descobertos poderiam ser, apenas, sinais equivocados.

(Com AFP)