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Documentário sobre a pandemia foca no contato humano com a vida selvagem

Conferência virtual sobre 'CoronaVírus: Alerta Ambiental' contou com uma das veterinárias envolvidas no projeto, Tracey McNamara

Por Sabrina Brito - Atualizado em 5 out 2020, 13h52 - Publicado em 5 out 2020, 13h40

Meses depois da explosão da pandemia do novo coronavírus, discussões acerca da disseminação da doença permanecem em polvorosa. Ao longo dos últimos meses, o National Geographic preparou um documentário sobre o assunto, chamado CoronaVírus: Alerta Ambiental, que estreia nesta segunda-feira, 05, às 21h.

Para falar sobre a produção, uma das veterinárias envolvidas no projeto, Tracey McNamara, organizou no último dia 1º uma conferência virtual, em que a especialista em patologia e consultora do filme Contágio, de 2011 (que ganhou notoriedade no começo do ano por tratar de uma epidemia muitíssimo parecida com a crise atual), discutiu a pandemia e o papel dos animais na vida do homem moderno.

“Com certeza [o filme de 2011] foi uma advertência sóbria do que estava por vir com a Covid-19“, afirmou a veterinária no começo da entrevista, ao ser perguntada sobre a importância de Contágio. Tracey disse ainda que precisamos deixar de colocar a culpa pela doença nos animais.

“Você não precisa gostar dos animais, apenas entender que eles não são o inimigo”, opinou. “Sabemos, por exemplo, que a morte de macacos pode ser um sinal de febre amarela. Animais podem ser um aviso precoce da emergência de doenças, mas as pessoas não percebem isso. Alguns querem matar os morcegos, matar os macacos. Não é essa a solução.”

Qual, então, a saída? Para a especialista, existem opções que não necessariamente custarão caro. “Uma abordagem melhor seria fazer como os australianos agiram com o vírus Hendra, que passava de morcegos a cavalos a pessoas. Os cientistas criaram uma vacina contra o vírus que funcionava em cavalos, interrompendo a transmissão com uma solução simples. Talvez precisemos criar algo do tipo.”

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Até conseguirmos bolar uma inovação tecnológica, McNamara acredita que o melhor é a mudar a forma como o governo investe na saúde. Uma alternativa seria dedicar parte desse montante para investir mais no bem-estar animal e em agências veterinárias, por exemplo.

Outra área que merece grande atenção do ponto de vista da veterinária é o monitoramento da vida selvagem. “Precisa-se reconhecer que todas as doenças infecciosas recentes vieram daí. O público em geral não tem noção do quão fraco é o monitoramento de vida selvagem a nível global.”

Mas Tracey não exime a culpa da humanidade na proliferação dessas doenças. Embora elas surjam em animais selvagens, é o nosso contato exacerbado com eles que faz com que contraiamos diversos vírus e bactérias.

“Se não estivéssemos cortando árvores, forçando os animais a debandarem e os aproximando de seres humanos, talvez não estivéssemos vendo tantas epidemias”, afirmou. “O objetivo do nosso filme era justamente esse: mostrar que precisamos minimizar a interface entre pessoas e a vida selvagem.”

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E ela espera que levemos o documentário a sério — como deveríamos ter feito com “Contágio”, segundo ela. Mas, para isso, precisamos da ajuda de psicólogos e sociólogos para entender os hábitos e as culturas dos povos, e, assim, encontrar soluções definitivas para o contato excessivo que muitos têm com animais selvagens.

O documentário conta com a participação de grandes nomes da ciência e do conservacionismo, como a primatologista Jane Goodall e Paul Watson, diretor do Greenpeace.

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