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Detector de partículas europeu observa transformação rara de neutrino múon em tau

As observações dão suporte à teoria segundo a qual os neutrinos múons poderiam se transformar em outra forma, ajudando a decifrar mistério que vem desde a década de 1960

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h21 - Publicado em 27 mar 2013, 20h20

Físicos do Laboratório Subterrâneo de Gran Sasso, perto de Roma, anunciaram nesta quarta-feira, pela terceira vez em três anos, uma observação extremamente rara: a transformação de um neutrino do tipo “múon” em um neutrino do tipo “tau”.

Partícula elementar da matéria, o neutrino é um bilhão de vezes mais presente no universo do que quaisquer dos constituintes dos átomos. Ele intriga os físicos desde os anos 1960, quando o americano Ray Davies (1914-2006), ganhador do prêmio Nobel em 2002, observou que muito menos neutrinos vinham do Sol para a Terra do que calculavam os modelos.

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O QUE É UM NEUTRINO?

Neutrinos são partículas subatômicas (como o elétron e o próton), sem carga elétrica (como o nêutron), muito pequenas e ainda pouco conhecidas. São gerados em grandes eventos cósmicos, como a explosão de supernovas, em reações nucleares no interior do Sol e também por aceleradores de partículas. Viajam perto da velocidade da luz e conseguem atravessar a matéria praticamente sem interagir com ela. Como não possuem carga, não são afetados pela força eletromagnética. Existem três “sabores” de neutrinos: o neutrino do múon, o neutrino do tau e o do elétron.

As observações do Laboratório de Gran Sasso dão suporte à teoria segundo a qual os neutrinos denominados de múons poderiam se transformar em outra forma, ao longo de sua trajetória, tornando-se indetectáveis.

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A experiência internacional OPERA, da qual participam 140 físicos de 28 institutos de pesquisa em 11 países, foi criada em 2001 para descobrir as “oscilações” ou as transformações dos neutrinos. Para esta experiência, um feixe de neutrinos produzidos no CERN, em Genebra, se desloca para o laboratório subterrâneo de Gran Sasso, na Itália, seguindo uma trajetória de 730 quilômetros.

Na natureza, existem três tipos de neutrinos: o elétron, o múon e o tau. O OPERA busca os neutrinos do tipo tau, sendo que todos aqueles que deixam o CERN são neutrinos do tipo múon.

Terceira observação – O primeiro neutrino tau foi observado pela experiência OPERA em 2010 e o segundo em 2012. De acordo com o encarregado da experiência, o professor Giovanni De Lellis, da Universidade Federico II de Nápoles e do Instituto Italiano de Física Nuclear, a chegada de um terceiro neutrino “é uma confirmação importante das duas observações precedentes”.

A equipe OPERA vai realizar suas análises durante dois anos, com o objetivo de pesquisar os outros neutrinos de tau que seriam a prova definitiva deste fenômeno de transformação, afirmou o Instituto Italiano de Física Nuclear em um comunicado.

A observação das “oscilações” de neutrinos é um elemento fundamental para a física, pois, para oscilar, estas partículas devem ter uma massa ou o “modelo padrão”, utilizado para explicar o comportamento das partículas fundamentais.

(Com Agência France Presse)

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