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Descoberto possível ancestral do Triceratops

Reexame de um fóssil achado em 1941 no Novo México, EUA, aponta uma nova espécie de dinossauro: os Titanoceratops

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 17h10 - Publicado em 1 fev 2011, 19h18

O Titanoceratops teria vivido no sudoeste dos Estados Unidos há 74 milhões de anos

Os grandes dinossauros de chifres das Américas podem estar prestes a ganhar mais um membro em sua árvore genealógica. Um fóssil descoberto no Novo México há 70 anos e recentemente analisado por pesquisadores da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, foi apontado o provável ancestral comum do Triceratops e do Torossauro. As novas conclusões sobre a espécie serão publicadas na próxima edição da revista científica Cretaceous Research.

O dinossauro recém-descoberto foi batizado de Titanoceratops. Tinha cerca de 6.800 quilos e 2,4 metros de altura. Viveu no sudoeste dos Estados Unidos, há 74 milhões de anos, durante o período Cretáceo. Mas não reinou por muito tempo. Estima-se que a espécie tenha sido extinta apenas um milhão de anos depois, enquanto seus descendentes povoaram a terra por mais de 10 milhões, do sul dos Estados Unidos até o Canadá.

O grande herbívoro ficou conhecido quase que por um acaso. Os vestígios de seu esqueleto, encontrados em 1941, no Novo México, foram confundidos com outra espécie, comum na região, o Pentaceratops. Mas quando o pesquisador Nicholas Longrich, da Universidade de Yale, examinou em detalhe o fóssil, percebeu diferenças consideráveis entre as espécies. A começar pelo peso: o exemplo investigado deveria pesar o dobro de um adulto Pentaceratops normal.

“Eu percebi que ele era simplesmente muito diferente dos outros Pentaceratops conhecidos para ser um membro da espécie”, conta Longrich. Ele acrescenta que a nova espécie é bastante semelhante ao Triceratops, mas com um nariz mais longo e chifres ligeiramente maiores. Seus estudos o levaram a concluir que o Titanoceratops é o ancestral tanto do Triceratops quanto do Torossauro, que se separaram em duas espécies distintas alguns milhões de anos depois.

Para o paleontólogo da Universidade de São Paulo Luiz Eduardo Anelli, autor do Guia completo dos dinossauros brasileiros, os indícios ainda não são conclusivos. “O principal item de identificação da família dos triceratopsídeos são as franjas ósseas traseiras, justamente o pedaço que faltava nesse espécime”, diz. “Ainda assim, a descoberta pode acrescentar cinco milhões de anos à existência desses grandes dinossauros com chifres, que teriam, então, evoluído antes do que imaginamos hoje”, completa.

Longrich assume que ainda são necessários novos fósseis para comprovar sua hipótese. Mas está confiante: “Vamos procurar, há de haver mais Titanoceratops por aí”

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