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Descoberta nova espécie de dinossauro na Patagônia

Cientistas encontraram primeira evidência de um dinossauro da família dos abelissaurídeos que viveu no período Jurássico, 50 milhões de anos mais antigo do que o parente mais antigo já encontrado

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h36 - Publicado em 24 Maio 2012, 15h47

Escavações feitas na região da Patagônia argentina revelaram uma nova espécie de dinossauro, Eoabelisaurus mefi, pertencente à família dos abelissaurídeos, que viveram no Hemisfério Sul durante o período Jurássico. Cientistas anunciaram a descoberta em artigo publicado nesta terça-feira na revista Proceedings of the Royal Society B.

Escavações realizadas na região de Chubut, Patagônia argentina, permitiram cientistas indentificar uma nova espécie de dinossauros que viveu no período Jurássico

O esqueleto quase completo de um exemplar adulto foi achado na província de Chubut (Argentina) durante duas escavações realizadas em janeiro de 2009 e fevereiro de 2010. Até o momento, todos os fósseis da família Abelisauridae tinham sido encontrados na África e em outras partes da América do Sul, mas nenhum tinha mais do que 100 milhões de anos. Esse é o esqueleto mais completo já encontrado desta família de grandes dinossauros carnívoros, faltando apenas uma parte do crânio.

Saiba mais

ABELISSAURÍDEOS

Família de grandes dinossauros carnívoros. Os abelissaurídeos também são chamados de “Répteis de Abel”, em homenagem a um de seus primeiros descobridores, Roberto Abel, diretor do Museu Argentino de Ciências Naturais.

JURÁSSICO MÉDIO

Período de tempo geológico entre 175 e 161 milhões de anos atrás.

CRETÁCEO

Última etapa da chamada “Era dos Dinossauros” compreendida entre 145 e 65,5 milhões de anos atrás.


Os pesquisadores acreditam que esse animal tenha vivido durante o período Jurássico Médio. “Essa descoberta indica que a origem dos abelissaurídeos é anterior ao que se pensava”, afirma Diego Pol, autor do trabalho e pesquisador do Museu Egídio Feruglio (MEF) da Argentina. Ele explica que o esqueleto representa uma valiosa evidência de seus passos evolutivos. “Os abelissaurídeos tinham um crânio curto e alto, com chifres em algumas espécies, braços e mãos pequenas. No Eoabelisaurus mefi nós vemos apenas as mãos pequenas, porque os braços ainda não são compridos e a cabeça também é diferenciada. Isso nos faz pensar que as características desse animal mudaram em algum momento, e agora nos perguntamos por quê.”

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Este dinossauro podia medir até 6,5 metros e tinha um crânio curto e alongado e uma mandíbula muito potente. Segundo os cientistas, foi um maiores predadores do Jurássico na América do Sul.

Distribuição geográfica – O fato de representantes desta família terem sido encontrados apenas na metade Sul do planeta fazia os cientistas pensarem que a espécie teria surgido com a divisão do supercontinente Pangeia – África e América do Sul eram ‘grudados’ nesse período, entre 300 e 200 milhões de anos atrás. A descoberta dessa nova espécie derruba essa possibilidade e ao mesmo tempo reforça outra: a de que existiu um gigantesco deserto entre os hemisférios Norte e Sul que atuou como barreira geográfica, impedindo a dispersão de espécies de um lado para o outro.

No Brasil – O paleontólogo Luiz Eduardo Anelli, da USP, explica que exemplares de abelissaurídeos já foram encontrados no território brasileiro. “No Brasil existem duas ocorrências de dinossauros abelissaurídeos. Uma no Mato Grosso, o Pycnonemosaurus, e outra na região de Uberaba, ainda sem nome, ambas do período Cretáceo, posterior ao Jurássico.”

Opinião do especialista

Luiz Eduardo Anelli

Especialista em dinossauros brasileiros, doutor em geociências pela Universidade de São Paulo. É também autor dos livros Dinossauros do Brasil e Dinos do Brasil, da Editora Peirópolis

“Este novo dinossauro descoberto na Argentina retrocede em quase 50 milhões de anos, até meados do período Jurássico, o registro da linhagem dos abelissaurídeos, um grupo de grandes e raríssimos dinossauros predadores até então conhecidos somente do período Cretáceo. Descobertas como esta são sempre bem vindas: indicam que novos esqueletos de abelissaurídeos poderão ser encontrados em rochas que compõem todo o intervalo que o separa das espécies que viveram no Cretáceo (se é que estas rochas existem).”

“Durante o Período Jurássico, quando o Eoabelisaurus mefi viveu, os continentes do hemisfério Sul, mais a Índia, ainda estavam unidos, e embora esta seja a ocorrência mais antiga conhecida, não assegura que a linhagem tenha se originado na América do Sul, mas em qualquer dos outros continentes que compunham o supercontinente Gondwana.”

“Registros fósseis como este, separados por uma grande janela temporal, não são incomuns. Durante estes 50 milhões de anos sem esqueletos de abelissaurídeos, espécies desta linhagem certamente aterrorizavam o mundo Sul, mas possivelmente viveram em regiões onde não havia ambiente sedimentar favorável para a preservação dos seus esqueletos; ou havia, mas eventos geológicos erosivos apagaram o registro destas rochas para sempre; ou não, e seus esqueletos ainda estão por rochas da Patagônia que ainda não foram encontradas. Vamos esperar para ver.”

(Com Agência EFE)

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