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De janeiro a maio, desmatamento na Amazônia é o maior desde 2016

Bioma bate recorde de devastação pelo terceiro ano consecutivo e maio de 2022 tem a segunda maior marca para o mês

Por Alessandro Giannini 10 jun 2022, 17h33

Nos primeiros cinco meses de 2022, a Amazônia perdeu quase 3 mil quilômetros de área verde, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o maior desmatamento registrado nesse período do ano desde o início da série histórica, em 2016. Isso significa um aumento de 12,7% em comparação com o ano anterior. E o terceiro ano consecutivo desse triste recorde.

O mês de maio continua sendo o mais problemático. Este ano, foram registrados 900 quilômetros quadrados de desmatamento, a segunda maior marca da série histórica. Só superada pela área devastada no mesmo mês, em 2021: 1.390 quilômetros quadrados.

No mesmo mês, os estados com mais desmatamento foram o Amazonas (298 quilômetros quadrados) e o Pará (272 quilômetros quadrados). Já os municípios mais afetados são Apuí (AM), Porto Velho (RO), Altamira (PA), Itaituba (PA) e Lábrea (AM). As Unidades de Conservação que tiveram mais perdas estão no Pará: Área de Proteção Ambiental do Tapajós, Floresta Nacional do Jamanxim e Estação Ecológica Terra do Meio.

No Cerrado, foram desmatados 726 km2 em maio, uma redução de 19% em comparação o mesmo período no ano passado. A maior devastação no bioma ocorreu mais uma vez nos estados do Maranhão (192 quilômetros quadrados), Piauí (165 quilômetros quadrados), Tocantins (144 quilômetros quadrados) e Bahia (99 quilômetros quadrados).

No acumulado do ano, entre janeiro e maio, já foram desmatados 2.613 quilômetros quadrados no Cerrado. O valor representa um aumento de 28,5% em comparação mesmo período de 2021. É o segundo maior valor registrado desde o início da série histórica em 2018, mas está no mesmo patamar do recorde de 2019, quando foram devastados 2.632 quilômetros quadrados.

De acordo com nota emitida pelo World Wild Fund Brasil, os recordes de desmatamento representam a falta de políticas ambientais, bem como o desmonte daquelas que eram efetivas. “Não é aceitável que a Amazônia continue como terra sem lei”, diz Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil. “Precisamos urgentemente retomar iniciativas de conservação e desenvolvimento sustentável na região e evitar projetos de lei prejudiciais ao meio ambiente que estão em tramitação no Congresso Nacional.”

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