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‘Cultura da esponja’ dita afinidade entre golfinhos, diz estudo

Estratégia de proteger o bico com esponjas é adotada apenas por alguns golfinhos e funciona como elemento de identificação dentro do grupo

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h29 - Publicado em 1 ago 2012, 13h47

Pesquisadores acreditam ter encontrado traços de comportamento cultural entre golfinhos de Shark Bay, na Austrália. Esta população desenvolveu uma curiosa ferramenta para se proteger quando procura alimentos no fundo do mar: esponjas marinhas colocadas no bico, o que cria um escudo protetor para esta parte sensível de seu corpo.

Para a ciência, o uso de ferramentas por animais é sinal de inteligência, capacidade de inovação e aprendizado. O que chama a atenção no caso dos golfinhos é que a estratégia de proteger o bico com esponja não é adotada por todos e serve como elemento de distinção e afinidade entre os membros do grupo, o que não é observado em outros sociedades animais que também adotam ferramentas. O estudo foi publicado no periódico Nature Communication.

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golfinhos e esponjas

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos, analisou os hábitos de 105 golfinhos nariz-de-garrafa ao longo de 22 anos. Eles rastrearam as redes sociais formadas entre eles e a forma como a técnica era repassada entre os indivíduos. Dos 105 golfinhos, 36 usam as esponjas, e 69, não.

Os cientistas perceberam que a técnica é transmitida de mãe para filho: só os filhotes de golfinhos que usam a esponja podem aderir à estratégia. Mas a herança nem sempre é assimilada: há filhotes que dispensam o artifício usado pela mãe. Até agora, dos 24 descendentes do grupo original que usava a esponja no bico, 8 nunca adotaram a técnica.

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Além do caráter familiar, o uso da esponja serve como forma de diferenciar os subgrupos de golfinhos. Animais que usam a esponja desenvolvem laços mais fortes entre si – ou seja, a afinidade cultural aproxima alguns membros da população.

Cultura – A definição de cultura é controversa na comunidade científica. Os pesquisadores concordam que alguma forma de aprendizagem social é um pré-requisito para falar em cultura e que ela é uma fonte de identificação dentro do grupo. Mas o consenso acaba aqui e muitas definições são usadas em estudos comportamentais.

Para os pesquisadores, o comportamento dos golfinhos pode ser classificado como cultural desde que se entenda por este conceito tanto um comportamento social aprendido quanto um elemento de distinção entre os membros do grupo.

Seleção – Segundo os pesquisadores, a seleção natural deverá favorecer esses mecanismos de aprendizagem social, já que quem usa a esponja tende a se relacionar com quem também usa e a transmitir esse conhecimento para os descentes, reforçando a tese da evolução por meio da aprendizagem social.

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