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Crianças de hoje são mais pacientes, revela pesquisa

Análise de estudos das últimas décadas mostra que os jovens são capazes de adiar gratificações como nunca

As crianças dos dias de hoje esperam por mais tempo para receber uma recompensa do que as das últimas décadas. É isso o que aponta um estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia no dia 25 (segunda-feira).

A pesquisa trouxe de volta à tona o famoso “teste do marshmallow” realizado nos anos 1950. Esse experimento, liderado pelo psicólogo Walter Mischel, funcionava assim: crianças de 3 a 5 anos recebiam a opção de comer um doce (por exemplo, um marshmallow) imediatamente ou de esperar alguns minutos e ganhar um doce ainda maior (ou dois desses doces). Os pesquisadores deixavam o(a) pequeno(a) sozinho(a) na sala, frente a frente com a comida, e espiavam, através de um espelho de sentido único, quantos minutos esperariam pela recompensa.

O estudo publicado no dia 25 se baseou nos resultados desse teste e em replicações do experimento feitas nos anos seguintes para comparar o tempo que as crianças aguardavam pelo doce grande, que servia como uma gratificação. A conclusão foi de que os jovens dos anos 2000 são mais pacientes nesse sentido. Em contraste com as pesquisas da década de 1960, os contemporâneos superaram em dois minutos o tempo dos anteriores. Quando confrontadas com as crianças dos anos 1980, as atuais superam o seu tempo de paciência em 1 minuto.

Os pesquisadores descobriram também que os adultos de hoje achavam que as crianças seriam impulsivas e pouco resignadas. Aproximadamente 358 habitantes dos Estados Unidos foram questionados sobre quanto tempo achavam que os jovens de 2000 esperariam por uma recompensa muito gratificante em comparação com os de 1960. Cerca de 72% dos entrevistados acreditava que o tempo de espera seria menor, e 75% achou que os experimentos atuais apontariam uma diminuição no autocontrole.

Os resultados não são apenas curiosos, mas também indicativos de um futuro positivo. A habilidade de adiar gratificações quando criança foi associada com vários indícios positivos na adolescência e nas fases posteriores da vida, como melhor desempenho acadêmico, relações de qualidade com os colegas e até mesmo um peso saudável.

Um dos coautores, o psicólogo Yuichi Shoda, da Universidade de Washington, afirmou que as conclusões da equipe são um bom exemplo de como a intuição pode estar errada, o que reforça a necessidade de se pesquisar.

As possíveis causas para a diferença encontrada no tempo de espera, de acordo com a equipe de pesquisadores, são várias, e vão desde o aumento no QI dos jovens ao longo das últimas décadas (decorrente das mudanças na economia e na globalização e das novas tecnologias sendo sempre atualizadas) até o crescimento do número de crianças na escola (nos Estados Unidos, a quantidade de pessoas de 3 e 4 anos matriculadas aumentou cerca de 50% entre os anos de 1960 a 2000).