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Com nanotecnologia, cientistas diminuem uso de agrotóxicos nas lavouras

Grupo de pesquisa de São Paulo conseguiu reduzir em dez vezes a quantidade necessária de um composto nas plantações

Por meio do uso da nanotecnologia, um grupo de pesquisa do Instituto de Ciência e Tecnologia de Sorocaba, da Unesp, está desenvolvendo novas técnicas de aplicação de produtos agrotóxicos e inseticidas. Liderados pelo químico Leonardo Fernandes Fraceto, os pesquisadores pretendem aumentar a eficiência do controle de pragas no campo e minimizar as quantidades de produtos químicos aplicados em lavouras. Assim, os efeitos negativos desses produtos à natureza e à saúde do consumidor e do trabalhador rural seriam diminuídos.

“A redução no uso de agrotóxicos pode trazer inúmeros benefícios ao cidadão, dentre elas um aumento na segurança alimentar, pois os alimentos poderão apresentar menores quantidades de agrotóxicos residuais”, explica Fraceto, que passou detalhes do estudo com exclusividade ao site de VEJA. Além disso, o químico comenta que o meio ambiente também pode ser beneficiado por novas técnicas, já que o uso de sistema de controles de pragas mais específicos deve proporcionar menor impacto ambiental.

Um exemplo de caso bem sucedido do grupo é a atrazina, composto usado para combater plantas daninhas e um dos herbicidas mais amplamente aplicados no Brasil. Na União Europeia, o uso dessa substância se tornou proibido depois que análises indicaram que o composto contaminava lençóis subterrâneos e águas superficiais.

A quantidade recomendada de atrazina em âmbito nacional é de 3 quilos por hectare de cultivo. O grupo de pesquisa criou uma nova forma de encapsulamento da substância que coloca o ingrediente quimicamente ativo em contato direto com as plantas daninhas. Desse modo, a eficácia do produto foi multiplicada por dez — ou seja, a quantidade necessária de atrazina passou a ser de 300 g por hectare. A tecnologia já foi patenteada e licenciada no ano passado.

Alguns outros projetos dos cientistas envolvem o encapsulamento de outros compostos, a exemplo de organismos biológicos que atuam no controle de pragas. É o caso de certas bactérias que, quando aplicadas ao solo, podem matar lagartas ou fungos potencialmente nocivos à plantação.

De acordo com Fraceto, é vital manter em mente que, antes de serem disponibilizadas no mercado, essas inovações sejam testadas de forma meticulosa. “É essencial que sejam realizados estudos que demonstrem a segurança desses sistemas para a saúde humana e para o ambiente”, recomenda. “Nesse sentido, nosso grupo de pesquisa tem se baseado no estudo dos mecanismos de ação e toxicidade das nossas tecnologias como forma de minimizar possíveis impactos pelo uso destas.”