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Cientistas tentam combater zika com radiação

Agência Internacional de Energia Atômica planeja esterilizar mosquitos machos para diminuir quantidade de insetos.

Uma experiência que já permitiu erradicar outros insetos, como a mosca da fruta em regiões da Argentina e da África do Sul e a mosca do melão em Okinawa, no Japão, começa a ser testada no Aedes aegypti, mosquito vetor de doenças como zika vírus, dengue e chikungunya. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), responsável pelo experimento, planeja esterilizar, através de radiação, mosquitos machos como forma de diminuir a quantidade de insetos. Mosquitos provenientes do Brasil, Indonésia e Tailândia já foram enviados ao laboratório da AIEA em Seibersdorf, 35 quilômetros ao sul de Viena, Aústria.

A experiência funciona da seguinte forma: os machos esterilizados, mas ainda ávidos de sexo, são soltos em zonas específicas com a missão de seduzir as fêmeas. A cópula, infértil, leva então a um processo natural de extinção. “É como uma forma de planejamento familiar para insetos”, explicou Jorge Heindrich, chefe da divisão para o controle de insetos parasitas do organismo, que lidera um grupo de cientistas de vários países.

Apesar de ser bem sucedida no passado, a experiência ainda enfrenta dificuldade. Primeira porque é preciso separar as fêmeas dos machos, que precisam ser esterilizados com o uso da radiação quando estão em um estado larvário. Para consegui-lo, os especialistas da AIEA trabalham em um processo há vários anos utilizando cobalto 60 ou raios X. Outro questionamento é se os machos “tratados” do Aedes serão suficientemente fortes para competir com os insetos selvagens para atrair a fêmea.

“Temos demonstrado que a técnica é eficaz em pequena escala: podemos atuar na periferia de uma cidade, quiçá até em uma localidade de 250.000 pessoas. Agora temos que ampliar a escala”, afirma a entomologista Rosemary Lees, uma das pesquisadora. Atualmente, há dois experimentos de campo em desenvolvimento pela AIEA. Um no Sudão, em uma região agrícola afetada endemicamente pela malária, e outro na ilha francesa de La Reunión, após a forte epidemia de chikungunya, também transmitido pelo Aedes aegypti, entre 2005 e 2006.

A eficácia aumenta, afirmam especialistas, sobretudo combinada com outros métodos, incluindo a utilização de inseticida para reduzir a população de mosquitos.Em fevereiro, será realizada uma reunião no Brasil com estados-membros da AIEA, especificamente países da América Latina, para estudar as possíveis aplicações do processo para lutar contra o vírus do zika.

(Com AFP)