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Cientistas propõem ‘guarda-chuvas’ e ‘choques elétricos’ para salvar espécies marinhas

Grupo formado por americanos e australianos alerta para "massacre" de espécies marinhas se níveis de CO2 nos mares continuarem a aumentar

Por Jean-Philip Struck - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h28 - Publicado em 21 ago 2012, 21h33

Um grupo de cientistas americanos e australianos sugeriu soluções ousadas para reverter a destruição de ecossistemas marinhos ameaçados pela crescente acidez dos oceanos. Como forma de minimizar os impactos das mudanças climáticas e salvar espécies marinhas, em especial os corais, eles propõem a instalação de guarda-chuvas subaquáticos, “tratamentos de choque” e lançamento de substâncias básicas para combater a acidez da água.

As propostas foram publicadas em um artigo na versão on-line da revista Nature Climate Change. O artigo é assinado pelos cientistas Greg Rau, ligado à Univerisade da Califórnia (EUA), e Elizabeth McLeod, da ONG Nature Conservancy, e Ove Hoegh-Guldberg, da universidade de Queensland (Austrália). Os dados utilizados são do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) e da União Europeia de Geociências.

Segundo o grupo, a crescente acidez dos oceanos é causada pela concentração de dióxido de carbono (CO2), que vem aumentando na atmosfera e tem impacto direto na vida marinha. Parte dele é absorvida, aumentando a temperatura e o nível de acidez das águas.

Soluções excêntricas – O artigo afirma que as atuais políticas de preservação da vida marinha, que favorecem a redução dos níveis atmosféricos de CO2, e o monitoramento de reações físicas e químicas das espécies são insuficientes para combater as mudanças nos oceanos.

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Segundo os cientistas, corais fragilizados poderiam ser protegidos da intensidade do Sol sendo cobertos com panos de sombra, como os que já são utilizados na agricultura.

Outra ideia é o tratamento de choque, que utiliza uma corrente elétrica em estruturas metálicas submersas. Eletrificadas, elas fazem com que os minerais dissolvidos na água se cristalizem, formando calcário branco e criando colônias para ostras e corais.

O estudo também sugere a adição de silicatos e outras substâncias químicas básicas na água, como meio de reduzir a acidez do meio. Por fim, os cientistas propõem que os corais passem por uma seleção semelhante àquela que agricultores fazem com sementes. Os mais resistentes seriam escolhidos e criados para serem introduzidos nas áreas atingidas.

Opinião do especialista

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Augusto FloresProfessor de biologia marinha da USP

“Só cortar as emissões de CO2 não é mesmo suficiente, já que os níveis de concentração ainda demorariam anos para baixar, mas é difícil dizer que técnicas como ‘guarda-chuvas’ e silicatos possam ajudar, já que isso nunca foi testado em grande escala.”

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