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Cientistas japoneses estudam ‘linguagem’ das ostras

Cientistas japoneses começaram a estudar a “linguagem” das ostras em um esforço para descobrir o que elas têm a dizer sobre o ambiente em que vivem.

Os pesquisadores estão monitorando a abertura e o fechamento dos moluscos em resposta a mudanças em parâmetros da água marinha, como redução de oxigênio ou maré vermelha, provocada pela superpopulação de uma alga tóxica que causa sufocamento e pode desencadear uma mortalidade maciça.

Utilizando um equipamento chamado de “kai-lingual”, uma brincadeira com a palavra japonesa “kai” (marisco), cientistas da Universidade de Kagawa querem ver se conseguem decodificar os movimentos das ostras que podem servir de alerta para eventuais problemas.

O “kai-lingual” usa uma série de sensores e ímãs para enviar informações sobre a abertura e o fechamento das conchas em resposta às mudanças ambientais.

A técnica nunca foi usada em ostras criadas para alimentação, mas já foi empregada por criadores de ostras para produção de pérolas.

“Com o kai-lingual podemos ouvir ‘gritos’ como ‘sofremos com a falta de oxigênio'”, explicou Tsuneo Honjo, diretor do Centro de Pesquisas Seto, vinculado à universidade.

As ostras produtoras de pérolas foram colocadas em meio às primas, atuando como “intérpretes” e alertando os criadores sobre as mudanças no ambiente marinho, acrescentou.

“Conseguimos estabelecer conversas com as ostras produtoras de pérolas ao longo de anos de pesquisa. Neste projeto, elas deviam traduzir para nós as reações das ostras cultivadas” para alimentação, acrescentou.

A pesquisa foi iniciada em outubro e durará até a colheita, em março, afirmou Honjo.

“Até agora, o jeito de falar das ostras é saudável”, acrescentou.