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Cientistas descobrem a causa do evento estelar mais brilhante já avistado

Há mais de mil anos, observadores de diversas partes do globo registraram a ocorrência de uma supernova. Agora, pesquisadores descobrem que explosão termonuclear foi causada pela fusão de duas anãs brancas

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h26 - Publicado em 28 set 2012, 20h43

O evento estelar mais brilhante já registrado em toda a história foi desencadeado pela fusão de duas anãs brancas, revelou um estudo espanhol publicado nesta quinta-feira na revista Nature. Entre 30 de abril 1º de maio de 1.006, observadores de diferentes partes do hemisfério norte registraram um súbito aumento do brilho de uma determinada estrela no céu, o que levou os astrônomos modernos a concluir que fora avistada, naquele ano, a luz proveniente da explosão de uma supernova. Um astrônomo egípcio da época, por exemplo, escreveu que o brilho que chegou à Terra era três vezes mais intenso do que o de Vênus e correspondia a um quarto daquele emitido pela Lua. Agora, mil anos mais tarde, os cientistas parecem ter descoberto como a ignição termonuclear começou.

Saiba mais

ANÃ BRANCA

Quando uma estrela como o Sol tem sua energia esgotada, ela se transforma em anã branca. Cientistas acreditam que daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos o Sol também vai se apagar e se tornar uma anã branca.

SUPERNOVA

Supernova é uma explosão estrelar extremamente luminosa. A radiação que resulta da ignição é intensa e supera em pouco tempo a energia liberada pelo Sol. Após a explosão, é formada uma nuvem de gás em expansão.

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A supernova de 1.006 foi produzida em um sistema binário, um processo de transferência de massa entre dois objetos astronômicos pela força da gravidade. A combinação pode ser entre uma anã branca (massa equivalente à do Sol, mas com um tamanho similar ao da Terra) e uma estrela normal, menos compacta. Em dado momento, quando a anã branca atinge 1,4 vez a massa do Sol – proporção chamada massa limite de Chandrasekhar -, ela explode e libera uma enorme quantidade de energia. “A estrutura da anã branca não suporta mais do que isso”, explica o professor Jorge Horvath, professor de evolução estelar do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). A nuvem multicor que se forma, visível nas imagens captadas pelos observatórios espaciais, é formada pelo gás remanescente em expansão.

Mesmo depois da detonação, a estrela companheira continua a existir, só que modificada pela força do estouro da anã branca. “A aparência de uma possível estrela companheira, mesmo mil anos depois do violento impacto, não seria o de uma estrela gigante normal”, diz Jonay González Hernández, pesquisador que lidera o trabalho.

González Hernández e sua equipe buscaram, com um dos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, rastros de corpos celestes com marcas de abalo de uma explosão supernova. Como não encontraram nada – apenas estrelas normais – , concluíram que a supernova provavelmente foi desencadeada pela colisão de duas anãs brancas (veja o vídeo). Neste caso, uma anã branca atrai a outra até que ocorra a fusão das duas, fazendo com se chegue à massa limite de Chandrasekhar. Depois do boom, ambas simplesmente deixam de existir. “Realizamos uma exploração exaustiva em torno do lugar onde explodiu a supernova de 1.006 e não encontramos nada, o que nos leva a pensar que esse evento foi causado pela colisão ou fusão de duas estrelas anãs brancas”, concluiu González Hernández.

Até hoje, cinco supernovas foram estudadas por Pilar Ruiz-Lapuente, pesquisadora do grupo. Apenas em uma, avistada em 1572, foram encontrados sinais de uma estrela companheira. “Os novos resultados sugerem que a fusão de añas brancas poderia ser uma via usual para o início das violentas explosões termonucleares”, afirma.

O vídeo abaixo mostra como a gravidade atraiu as estrelas e provocou a explosão:

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