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Cientistas criam ‘miniestômagos’ em laboratório

Eles serão uma importante ferramenta para pesquisas sobre doenças como úlcera, câncer ou diabetes, além de testar a reação do órgão a medicamentos

A partir de células-tronco, cientistas criaram os primeiros “miniestômagos” em laboratório. São pequenos aglomerados de tecido gástrico, que contém células em estágio inicial, como uma versão em miniatura do estômago. Essa será uma importante ferramenta para auxiliar em pesquisas sobre doenças como úlcera, câncer ou diabetes, além de testar a reação do órgão a medicamentos. O estudo, descrevendo como os cientistas fabricaram o tecido, foi publicado nesta quarta-feira na revista Nature.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Modelling human development and disease in pluripotent stem-cell-derived gastric organoids

Onde foi divulgada: revista Nature

Quem fez: Kyle W. McCracken, Emily M. Catá, Calyn M. Crawford, Katie L. Sinagoga, Michael Schumacher, Briana E. Rockich, Yu-Hwai Tsai, Christopher N. Mayhew, Jason R. Spence, Yana Zavros e James M. Wells

Instituição: Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati, EUA

Resultado: Os pesquisadores fabricaram pequenos aglomerados de tecido gástrico, que contém células em estágio inicial, como uma versão em miniatura do estômago. Em seguida, infectaram o tecido com bactérias H. pylor para estudar a doença.

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O minúsculo estômago – pouco menor que uma ervilha – foi feito com células-tronco pluripotentes, capazes de se diferenciar em qualquer tipo de célula. Muito promissoras como futura fonte de tecidos para transplantes desenvolvidos em laboratório, essas células trazem um grande desafio aos cientistas: reproduzir exatamente o ambiente embrionário para que se tornem do tipo desejado. Isso significa fornecer a elas os hormônios e estímulos químicos certos para que cresçam como o tecido adequado. Foi isso que os pesquisadores do Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos, conseguiram fazer.

“Até agora, não havia uma forma adequada de estudar doenças estomacais em humanos”, afirmou o médico Jim Wells, do Centro Médico do Hospital Infantil de Cincinnati, em Ohio, e líder do estudo. “O estômago humano é muito diferente do de outros animais. As células diferenciadas e sua estrutura e arranjo nos nossos tecidos estomacais desenvolvidos em laboratório foram virtualmente idênticos ao que encontraríamos normalmente no estômago”, prosseguiu.

Por ter o desenvolvimento embrionário igual ao humano, o tecido in vitro é melhor que o modelo animal de ratos, usado até então. Essa etapa é fundamental para identificar processos bioquímicos relacionados a doenças como obesidade ou diabetes.

Estômago doente – Além de criarem o “miniestômago”, os cientistas o infectaram com bactérias Helicobacter pylori, responsáveis por doenças crônicas do órgão, como úlceras ou câncer. A infecção funcionou no tecido da mesma forma que em humanos, possibilitando aos cientistas examinar todas as etapas do desenvolvimento da doença.

Ainda em estágio preliminar, os órgãos in vitro estão longe de servir como tecido de reposição ou produzir um estômago completo. No entanto, testes preliminares sugerem que poderão um dia servir como “curativos” para buracos causados por úlceras pépticas.

Essa não é a primeira vez que órgãos em miniatura são criados em laboratório. Em 2013, cientistas produziram rins em miniatura a partir de células-tronco humanas.

(Com agência France-Presse)