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Cientistas conseguem tratar infecção pelo vírus Ebola pela primeira vez

Quase metade (43%) dos primatas infectados sobreviveu com o medicamento administrado após o aparecimento dos sintomas da doença

Cientistas conseguiram pela primeira vez tratar com sucesso uma infecção pelo vírus Ebola, após o aparecimento de seus sintomas. O estudo, feito em macacos Rhesus, foi publicado nesta quarta-feira no periódico Science Translational Medicine. Promissores, os resultados podem abrir o caminho para o desenvolvimento de terapias contra esta infecção, que causa uma febre hemorrágica cuja taxa de mortalidade é de 90% entre os humanos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Therapeutic Intervention of Ebola Virus Infection in Rhesus Macaques with the MB-003 Monoclonal Antibody Cocktail

Onde foi divulgada: periódico Science Translational Medicine

Quem fez: James Pettitt, Larry Zeitlin, Do H. Kim, Cara Working, Joshua C. Johnson, Ognian Bohorov, Barry Bratcher, Ernie Hiatt, Steven D. Hume, Ashley K. Johnson, Megan Heinrich, Ashley Piper, Justine Zelko, Gene G. Olinger e outros

Instituição: Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército Americano (USAMRIID) e outras

Resultado: 43% dos primatas infectados sobreviveram com a administração do medicamento após o aparecimento dos sintomas da doença, entre 104 e 120 horas após a infecção pelo vírus Ebola.

Responsável por muitas mortes, principalmente na África, o vírus Ebola se multiplica rapidamente, ultrapassando a capacidade do sistema imunológico de lutar contra a infecção. Como ainda não existe prevenção ou tratamentos para ele, o Ebola é considerado um grande perigo para a saúde pública – além de existirem temores de que vírus possa ser utilizado como arma biológica.

A mesma equipe de pesquisadores responsável por este estudo, liderada por James Pettitt, do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército Americano (USAMRIID), demonstrou em outubro do ano passado que esse tratamento – um “coquetel” de anticorpos denominado MB-003 – evitou a morte de todos os animais testados, quando administrado uma hora após a exposição ao vírus, e de dois terços deles, 48 horas após a contaminação.

No estudo atual, os primatas só receberam o tratamento após apresentarem sintomas verificáveis da doença, o que ocorreu entre 104 e 120 horas após a infecção, e 43% deles se recuperaram. Esta diferença é importante porque o primeiro estudo testou o medicamento como uma forma de Profilaxia Pós-Exposição, ou seja, com objetivo de prevenir a infecção após exposição ao vírus, enquanto no novo estudo o medicamento foi testado como um tratamento, após o estabelecimento da infecção.

Ação do medicamento – O MB-003 é feito com anticorpos monoclonais, células clonadas do sistema imunológico. Ele atua de duas formas: inativando o vírus e estimulando o sistema imunológico a eliminar as células infectadas pelo vírus. Nenhum efeito colateral do medicamento foi observado nos animais que sobreviveram.

“Na falta de uma vacina ou um medicamento para tratar ou evitar uma infecção do vírus Ebola, prosseguir o desenvolvimento de MB-003 é muito promissor”, disse Larry Zeitlin, um dos autores do estudo.

Segundo ele, o próximo passo é fazer estudos mais amplos em animais, para eventualmente passar para seres humanos. Os pesquisadores estimam que, se os resultados se mantiverem positivos, deve levar entre cinco e dez anos para que o medicamento possa ser comercializado.

(Com Agência France-Presse)

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