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Cientistas americanos pretendem criar genoma humano sintético

A pesquisa foi publicada na revista Science e poderá possibilitar até a criação de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos

Por Da redação - 3 jun 2016, 18h37

Depois de algumas reuniões secretas no prédio de medicina da Universidade de Harvard, um grupo de pesquisadores americanos anunciou um projeto para criar o genoma humano sintético. A pesquisa foi publicada na última quinta-feira na revista Science pelos especialistas envolvidos.

Caso seja iniciado, o projeto, intitulado em inglês como Human Genome Project-Write (HGP-write) ou ‘Projeto de Escrita do Genoma Humano’, permitirá até a criação de seres humanos sem a necessidade de pais biológicos, o que já levantou bastante polêmica na comunidade científica americana.

O genoma é o conjunto dos 23 pares de cromossomos que ficam no núcleo de cada célula do corpo humano, onde estão gravadas as características físicas responsáveis pelo desenvolvimento biológico de cada indivíduo, inclusive as doenças hereditárias estão escritas no genoma.

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“As potenciais aplicações dos resultados do HGP-write são principalmente a possibilidade de se criar órgãos humanos para transplantes e produzir células resistentes a todos os vírus e tipos de câncer”, defenderam os pesquisadores.

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A equipe é liderada pelo geneticista Jef Boeke, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York. O grupo espera conseguir 100 milhões de dólares – cerca de 352 milhões de reais – em incentivos públicos e privados para iniciar o projeto ainda este ano. Eles consideram que o custo final será inferior aos 3 bilhões de dólares destinados ao Projeto Genoma Humano, que mapeou pela primeira vez o DNA dos seres humanos, em 2003.

Os cientistas também querem envolver o público nas discussões de questões da área ética, legal e social.

Revés – Drew Endy, bioengenheiro da Universidade de Stanford, na Califórnia, e a professora de religião Laurie Zoloth, da Universidade Northwester, avaliaram que as implicações éticas do projeto deveriam ter sido analisadas antes de sua apresentação.

“Antes de lançar um projeto como este, com implicações éticas e teológicas tão grandes, é preciso estabelecer questões fundamentais, começando por saber em quais circunstâncias deveríamos tornar realidade esta tecnologia”, escreveram ambos em um comunicado, reportou o jornal americano New York Times.

(Com AFP)

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