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Cientista que clonou células-tronco embrionárias admite existência de erros em seu artigo

Principal causa dos erros teria sido pressa em publicar a pesquisa. Segundo o autor, os erros não comprometem a veracidade das informações

Shoukhrat Mitalipov, principal autor da pesquisa que anunciou a criação, pela primeira vez, de células-tronco embrionárias a partir de células humanas adultas, admitiu nesta quarta-feira, em entrevista à revista britânica Nature, que seu estudo contém erros. Apesar dos quatro erros de informações presentes no artigo, o pesquisador afirma que os resultados estão corretos. “Os resultados são reais, as linhas celulares são reais, tudo é verdadeiro”, disse

A pesquisa de Mitalipov foi divulgada no dia 15 de maio na revista Cell. O artigo foi publicado com uma pressa incomum, especialmente em uma área de pesquisa que já apresentou muitas controvérsias: houve uma diferença de apenas três dias entre a apresentação e a aceitação pelo periódico, e outros 12 dias para a publicação. Mitalipov admitiu ter procurado acelerar a publicação do artigo porque queria apresentá-lo no evento da Sociedade Internacional de Pesquisa de Células-Tronco, que acontece em junho. Segundo ele, a revista Cell não teve culpa do ocorrido.

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No artigo, a equipe descreve a criação de células-tronco embrionárias por meio da técnica de clonagem, retirando células da pele de um indivíduo e inserindo seu DNA dentro do núcleo de óvulos humanos. A discussão sobre os erros do artigo teve início com a publicação de um comentário anônimo no site PubPeer, no qual pode-se fazer comentários sobre pesquisas publicadas.

Falhas – Dos quatro erros apontados, Mitalipov afirmou que três foram simples, de compilação de dados. O quarto erro, no entanto, se refere a imagens duplicadas no trabalho. De acordo com Mitalipov, a duplicação foi intencional, pois havia poucas imagens disponíveis para o uso. O que causou a confusão foi o uso de legendas incorretas. “Os resultados são exatos, as linhagens de células-tronco embrionárias existem”, disse o autor. Martin Pera, especialista em células-tronco da Universidade de Melbourne, na Austrália, lamentou no artigo da Nature o uso da mesma imagem para ilustrar duas propriedades diferentes entre as células-tronco de um embrião humano e as produzidas por clonagem. “As explicações dadas pelos autores do estudo são plausíveis, mas é preciso esperar os resultados de uma pesquisa mais profunda”, concluiu. Clonagem – O último grupo de pesquisadores que afirmou ter criado células-tronco embrionárias humanas por meio de clonagem, liderado pelo sul-coreano Woo Suk Hwang, chegou a publicar dois artigos. Descobriu-se, no entanto, que as pesquisas não passavam de uma fraude. (Com agência France-Presse)