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Cientista: O brasileiro não sabe o suficiente sobre saúde

Em relação a doenças autoimunes, o conhecimento pode ser ainda menor, afirma especialista

Por Sabrina Brito 28 jun 2022, 14h24

Em tempos de pandemia, ficou claro para a maior parte do mundo que grande parte da população desconhece conceitos básicos ligados à saúde e ao bem-estar humano. Para além da Covid-19, há diversos outros âmbitos da ciência da medicina que frequentemente são mal interpretados pela sociedade.

VEJA conversou com Henrique Teixeira, diretor científico de desenvolvimento clínico em imunologia da AbbVie, sobre doenças imunológicas e a forma como a população brasileira lida com elas. Segundo o especialista, que participou da pesquisa que culminou na criação de um medicamento já aprovado no Brasil para artrite reumatoide e dermatite atópica chamado upadacitinibe, ainda há muitos avanços a serem feitos na área, especialmente no que diz respeito à conscientização da população sobre o tema.

Como funcionam as doenças autoimunes?

O sistema imunológico é extremamente complexo, formado por muitos elementos que atuam na defesa do nosso organismo contra invasores. Em algumas pessoas, o sistema imunológico pode confundir o próprio corpo com algo estranho ou ter uma resposta demasiadamente exagerada a elementos externos (que seriam inofensivos para a maioria dos indivíduos), causando um processo inflamatório despropocional.

É isso o que está por trás de doenças autoimunes ou imunomediadas, como a artrite reumatoide, lúpus, doenças inflamatórias de pele (como dermatite atópica), espondilite anquilosante, doença de Crohn, entre outras.

Como você avalia o conhecimento da população em geral sobre doenças imunológicas? Como melhorar esse cenário?

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Quando pensamos na população como um todo, a educação em saúde é baixa de forma geral. No caso das doenças imunomediadas, que são complexas por natureza, o conhecimento sobre elas é bastante baixo.

Voltando à dermatite atópica, por exemplo, uma pesquisa feita pelo Instituto Datafolha a pedido da AbbVie mostrou que a doença é rodeada de desconhecimento, mitos e preconceitos. Somente 37% dos brasileiros sabem que a dermatite atópica é uma doença de pele crônica, não transmissível. Grande parte da população acredita  erroneamente que a dermatite atópica é causada por maus hábitos de higiene e que o paciente não pode ter contato com outras pessoas e crianças.

Esse grau de desconhecimento acarreta em muito preconceito e isolamento por parte dos pacientes. É muito comum ouvirmos histórias de pacientes de dermatite atópica que se escondem, seja pelo uso de roupas que não deixem sua pele a mostra, mesmo no verão, ou pelo baixo convívio social, se isolando mesmo, o que agrava o quadro da doença, pois o estado emocional do paciente tem relação direta com as crises.

Uma forma de melhorar este cenário é trabalhar em mais ações educativas em saúde, em parceria com sociedades médicas, associações de pacientes, hospitais, centros médicos, para que os pacientes busquem ajuda médica o quanto antes e para ampliar o conhecimento da população em geral.

Existe algum tipo de prevenção para as doenças imunomediadas?

O paciente deve evitar os gatilhos que podem causar as crises das doenças, mas é importante lembrar que as doenças imunomediadas têm origem genética e causadas por um desequilíbrio do sistema imunológico. No caso específico da dermatite atópica, o paciente deve evitar contato com os elementos que ele já identificou que causam as crises, como algum tipo de tecido ou poeira, por exemplo.

Mas de maneira geral, o mais importante é buscar ajuda médica. Hoje, existem muitas opções terapêuticas para tratar as doenças imunomediadas e conhecimento científico sobre elas segue avançando. Por isso, é fundamental buscar um centro de referência na doença em questão e seguir as orientações do médico especialista.

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