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Candidato a viagem para Marte faz críticas ao projeto

O irlandês Joseph Roche afirma que nunca encontrou ninguém do projeto e a única entrevista foi feita a distância com duração de apenas 10 minutos

Por Da Redação - Atualizado em 6 Maio 2016, 16h05 - Publicado em 18 mar 2015, 19h40

Um dos 100 candidatos selecionados pela missão Mars One, o irlandês Joseph Roche, professor de astrofísica na Universidade Trinity, em Dublin, fez duras críticas ao projeto em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian. Ele escreveu que não acredita que a fundação vai conseguir superar os problemas técnicos e financeiros dentro do cronograma previsto.

Roche relata que após cumprir a etapa de entrevistas não sentiu que o processo de seleção foi rigoroso o bastante para atingir os requisitos padrão dos programas normais de seleção de astronautas. Ao site Medium ele afirmou que nunca encontrou ninguém do projeto e a única entrevista foi feita por Skype com duração de apenas 10 minutos. O conteúdo foi composto por perguntas que a Mars One já havia colocado à disposição de todos os concorrentes.

A pontuação atribuída aos participantes, de acordo com ele, serve somente para mostrar o quanto cada um doou para missão, e não a aptidão real para se tornarem colonizadores do planeta vermelho. “Você ganha pontos por cada fase do processo de seleção, mas somente um número arbitrário de pontos, nada a ver com um ranking. Em seguida, a única maneira de conseguir mais pontos é comprar mercadorias da Mars One ou doar dinheiro para eles”, afirma.

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Outra crítica é que os candidatos que ficaram entre os 100 escolhidos teriam sido incentivados a aceitar remuneração por participações midiáticas e a Mars One “pede gentilmente” que 75% do lucro seja doado a ela.

Candidatos – Roche alega ainda que o dado divulgado de que 200.000 pessoas se candidataram para o programa não era real, e que apenas 2 761 inscrições teriam sido realizadas.

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Mencionando um estudo feito pelo MIT, que afirma que a missão será um fracasso e os participantes começariam a morrer em 68 dias, ele afirma que essa pesquisa deveria ter dado início a uma discussão e possível colaboração desses cientistas com a equipe do projeto de colonização do planeta vermelho. “O fato de a Mars One não ter interagido com esses cientistas sugere uma ingenuidade em relação aos obstáculos que seus ambiciosos planos enfrentam”, escreve Roche.

Brasileira – Sandra da Silva, a única brasileira restante entre os 100 selecionados, afirmou pelo Facebook que não pode comentar o processo seletivo, mas “garantir que ele não terminou”. “Não sei como foi feita a avaliação do Sr. Joseph, mas asseguro que a minha não foi o que ele afirma”, escreve. Ela defende que, nos oito anos de treinamento previstos no projeto, seria possível desenvolver as habilidades necessárias à missão. A professora ainda garante que nunca fez doação ao projeto e que outros candidatos do Brasil com pontuação mais elevada que a dela não foram selecionados.

(Da redação)

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