Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Câmera digital mais poderosa do mundo inicia operação

Objetivo das imagens é ajudar os cientistas a explicar por que a expansão do universo está acelerando

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h27 - Publicado em 19 set 2012, 12h43

A mais poderosa câmera já desenvolvida para mapear o espaço começou a operar na semana passada, no topo de uma montanha no deserto do Atacama, no Chile. As primeiras imagens foram fotografadas no dia 12 de setembro.

Saiba mais

ENERGIA ESCURA

É uma forma de energia que age na direção contrária à da força gravitacional, fazendo com que os corpos celestes se expandam e se espalhem, ao invés de convergirem para um ponto central. Sua existência nunca foi provada, mas é levada em consideração na programação de modelos astronômicos que buscam entender como o universo funciona. A existência da energia negra é o que possibilita que o universo esteja se expandindo rapidamente, como propõem as principais teorias atuais.

SUPERNOVA

Supernova é o nome dado à explosão de estrelas com massa dez vezes maior (ou mais) que a do Sol. É um evento raro, ocorrendo a cada 50 anos na Via Láctea. Uma supernova pode ser tão brilhante quanto uma galáxia, mas com o passar do tempo a luminosidade diminui até ela se tornar invisível. O processo todo geralmente ocorre em semanas ou meses. Durante a explosão, cerca de 90% da massa estelar é expulsa. Por causa do brilho intenso, são comumente usadas como pontos de referência no universo para cálculo de distância entre os corpos.

A Câmera de Energia Escura tem 570 megapixels e foi desenvolvida por pesquisadores do Dark Energy Survey, um consórcio internacional de cientistas com o objetivo de investigar a energia escura que permeia o universo. O objetivo é ajudar os astrônomos a responderem alguns dos maiores mistérios da ciência: por que o universo ainda está expandindo? E por que essa expansão está acelerando?

Continua após a publicidade

A câmera foi montada no telescópio Victor M. Blanco, instalado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, no Chile, depois de oito anos de desenvolvimento. “A captura dos primeiros raios de luz pela Câmera de Energia Escura dá início a uma nova era na exploração das fronteiras cósmicas”, disse James Siegrist, diretor de física de alta energia do Departamento de Energia dos Estados Unidos, um dos financiadores do projeto. “Os resultados dessa pesquisa vão nos levar mais próximos ao entendimento dos mistérios da energia escura e do que ela significa para o universo”.

Especificações técnicas – O instrumento é a câmera mais poderosa já construída, capaz de captar a luz de mais de 100.000 galáxias localizadas a oito bilhões de anos-luz da Terra. As pesquisas sobre a natureza da energia escura devem começar em dezembro, depois que a câmera tenha sido completamente testada. Segundo os cientistas, a qualidade das primeiras imagens mostra que eles não devem enfrentar problemas.

Saiba mais:

Sol é mais redondo do que astrônomos acreditavam

Descoberto primeiro sistema de dois planetas orbitando duas estrelas

Nos próximos cinco anos, a Câmera de Energia Escura deve criar imagens coloridas e detalhadas de um oitavo do céu noturno, capturando cerca de 300 milhões de galáxias, 100.000 aglomerados de galáxias e 4.000 supernovas.

O Dark Energy Survey é um consórcio internacional que conta com mais de 120 cientistas vindos de vários países, como Estados Unidos, Brasil, Espanha, Inglaterra e Alemanha. No Brasil, o consórcio é formado por pesquisadores do Observatório Nacional, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Continua após a publicidade
Publicidade