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Britânico e japonês ganham Nobel de Medicina por pesquisas com células-tronco

Cientistas foram premiados por estudos, com mais de 40 anos de diferença, que descobriram o potencial das células maduras de se transformar em células-tronco pluripotentes, que dão origem a todos os tecidos do corpo

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h26 - Publicado em 8 out 2012, 08h49

Os cientistas John B. Gurdon, da Inglaterra, e Shinya Yamanaka, do Japão, foram agraciados nesta segunda-feira com o Prêmio Nobel de Medicina de 2012. Suas pesquisas foram responsáveis por descobrir, com 40 anos de diferença, que células maduras e especializadas poderiam ter seu estado revertido e se transformar em qualquer célula do corpo.

O britânico John B. Gordon descobriu há 50 anos que a especialização das células era reversível. Em sua pesquisa, ele substituiu o núcleo celular dentro do óvulo de um sapo pelo núcleo de uma célula intestinal madura. Como o óvulo se desenvolveu de modo normal, ele provou que o DNA da célula madura e diferenciada ainda continha as informações necessárias para desenvolver todas as células do corpo.

Saiba mais

CÉLULAS-TRONCO

Também chamadas de células-mãe, as células-tronco podem se transformar em qualquer um dos tipos de células do corpo humano e dar origens a outros tecidos, como ossos, nervos, músculos e sangue. Dada essa versatilidade, elas vêm sendo testadas na regeneração de tecidos e órgãos de pessoas doentes.

CÉLULA-TRONCO PLURIPOTENTE INDUZIDA (iPS)

Célula adulta especializada que foi reprogramada geneticamente para o estágio de célula-tronco embrionária. Pode se transformar em qualquer tecido do corpo. Elas são obtidas por meio da reprogramação genética de células adultas. Uma célula somática (não envolvida diretamente na reprodução), como a da pele, pode “voltar” a um estágio similar ao de célula-tronco embrionária pela adição de alguns genes.

Em 2006, o japonês Shinya Yamanaka foi mais longe. Enquanto na pesquisa de Gordon era necessário introduzir o núcleo de outra célula, Yamanaka conseguiu fazer com que células maduras de ratos fossem reprogramadas para voltarem ao estágio de células-tronco. Ao introduzir apenas uma pequena quantidade de genes, ele conseguiu reprogramar as células especializadas, e acabou criando o que ficou conhecido como célula-tronco pluripotente induzida. Essas descobertas mudaram a visão dos cientistas sobre a especialização celular, e deram origem ao desenvolvimento de diversas novas terapias.

Trajetória – Ainda na década de 60, John B. Gurdon desafiou o dogma científico corrente que propunha que o caminho percorrido para uma célula imatura se tornar especializada era uma via de mão única. Sua teoria era que o genoma dessas células maduras ainda continha as informações necessárias para desenvolver todos os outros tipos de células do corpo.

Perfil

O britânico John B. Gurdon, que venceu o Nobel de Medicina ao lado do japonês Shinya Yamanaka
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Sir John Gurdon

Nascido em 1933 em Dippenhall, na Grã-Bretanha, completou seu doutorado na Universidade de Oxford em 1960, e o pós doutorado no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Atualmente é professor emérito de Biologia do Desenvolvimento no Departamento de Zoologia da Universidade de Cambridge. Também dirige, na mesma universidade, um instituto que leva o seu nome, voltado para a pesquisa sobre câncer e biologia do desenvolvimento.

Shinya Yamanaka

Shinya Yamanaka

Nasceu em Osaka, Japão, em 1962. Antes de se dedicar à pesquisa básica, se formou em medicina em 1987, e chegou a ser cirurgião ortopédico. Em 1993 se tornou PhD pela Universidade de Osaka. Trabalhou no Instituto Gladstone, em São Francisco, nos Estados Unidos, que realiza pesquisas sobre doenças cardiovasculares, virais e neurológicas. Atualmente é professor na Universidade de Kyoto.

Ele testou essa hipótese ao substituir o núcleo de um óvulo de sapo pelo núcleo de uma célula do intestino do animal. Como o óvulo deu origem ao girino de modo normal, ele provou que o DNA presente no intestino do animal ainda era capaz de se diferenciar em células de todo o organismo, com células nervosas e musculares – cada uma especializada para tarefas específicas do corpo. Sua pesquisa foi inicialmente vista com ceticismo, mas foi confirmada por outros cientistas e é hoje considerada uma referência na área.

Mais de 40 anos depois, Shinya Yamanaka provou que, para criar novas células-tronco a partir de células especializadas, não era necessário transplantar seu núcleo para um embrião – era possível reverter o estado da célula original. Para isso, ele estudou células-tronco embrionárias, retiradas de embriões e cultivadas em laboratório, em busca de quais genes permitiam que elas se mantivessem imaturas.

Ao descobrir vários desses genes, ele testou diversas combinações para reprogramar células maduras conhecidas como fibroblastos. Por fim, ficou provado que a introdução de apenas quatro genes poderia levar à criação de uma célula-tronco pluripotente induzida. A pesquisa trouxe esperança na comunidade científica, por produzir células-tronco sem a necessidade de se destruir embriões. Na semana passada, pesquisadores japoneses anuciaram que usaram a técnica para transformar células da pele de ratos em embriões, que foram capazes de produzir ratos bebês.

O Prêmio Nobel de medicina é concedido desde 1901. No ano passado, ele foi dado a três cientistas por suas pesquisas com o sistema imunológico.

Info-nobel-medicina-2012

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