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Brasil fica em 35º lugar em índice que mede a saúde dos oceanos

O índice foi criado por pesquisadores das universidades da Califórnia e da Columbia Britânica e pela Conservação Internacional

Um novo estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature mostrou que a saúde dos oceanos do planeta está em risco. Os pesquisadores desenvolveram o Índice de Saúde dos Oceanos, que mediu a qualidade do mar em 171 países. A média global foi de 60 pontos em uma escala de 100, com os países mais desenvolvidos apresentando os melhores resultados. O Brasil ficou em 35º lugar.

O índice foi desenvolvido por 30 pesquisadores de vários institutos, como a Universidade da Califórnia, a Universidade da Columbia Britânica e a Conservação Internacional. Ele mede a saúde do oceano levando em conta tantos as dimensões ambientais quanto sua utilização econômica e social. Segundo os cientistas, o índice considera os seres humanos parte do ecossistema e, por isso, mede o quanto conseguimos aproveitar dos recursos marinhos. “Não estamos buscando locais intocados, mas sim interações sustentáveis com o oceano”, diz Ben Halpern, pesquisador da Universidade da Califórnia que participou do estudo.

Tabela
global brasil
Pontuação Média 60
62,4
Provisão de Alimentos 24 36
Oportunidades de Pesca Artesanal 87
88
Produtos Naturais 40 29
Armazenamento de Carbono 75 93
Proteção Costeira 73 86
Subsistência e Economia 75 51
Turismo e Recreação 10 0
Identidade Local 55
81
Águas Limpas 78 76
Biodiversidade 83 84

O índice é organizado em torno de 10 fatores que medem o uso que os habitantes de determinados países fazem dos recursos e serviços oferecidos pelo mar. São analisados dados como a limpeza das águas, pesca artesanal, utilização turística e até fatores subjetivos como a identificação dos habitantes com sua área costeira.

Os resultados são preocupantes. Somente 5% dos países marcaram mais do que 70 pontos, enquanto 32% não atingiram 50. “Os números geram apreensão, mas também trazem esperança. Pode não parecer, mas a situação poderia ser pior. Sabemos disso porque conseguimos ver que alguns países conseguem ter sucesso”, diz afirma Ben Halpern.

Lista – A pontuação variou muito entre os diversos países. A nação que tem o oceano em pior estado é Serra Leoa, que conseguiu apenas 36 pontos no índice. O local mais bem pontuado foi a Ilha Jarvis, um território desabitado no Sul do Pacífico pertencente aos Estados Unidos, que atingiu 86 pontos.

Se não forem levados em conta os locais com pequena população, como a Ilha Jarvis, a lista é liderada pelos países desenvolvidos, que, apesar da grande população, conseguem explorar os recursos do mar de maneira sustentável. É o caso da Alemanha, Holanda e Canadá, que fizeram respectivamente 73, 71 e 70 pontos. Os países do oeste da África tiveram a mais baixa pontuação, sugerindo uma relação entre Índice de Desenvolvimento Humano e a saúde dos oceanos. “Os países mais desenvolvidos dispõem dos recursos necessários para investir na manutenção do oceano”, diz Halpern.

O Brasil aparece na 35ª colocação, com 62 pontos. No país, os fatores que mais se destacaram foram a identidade local (preservação de espécies nativas e criação de áreas de proteção), provisão de alimentos (de maneira sustentável), armazenamento de carbono e proteção costeira. No entanto, nosso resultado é muito pior que a média na subsistência e turismo.

Os organizadores esperam que o índice seja usado pelos governos para melhorar a qualidade do mar, uma vez que fornece dados concretos para avaliar sua evolução, sem esquecer o aproveitamento econômico de seus recursos. “Ainda há muito espaço para melhorar. Agora temos um referencial para saber como estamos e onde precisamos avançar”, diz.

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