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Branco ou azul? A ciência explica a confusão causada pela cor do vestido

A falta de referências de cor próximas e de informações sobre o tipo de luz na foto permitem que o cérebro interprete a cena de jeitos distintos

A foto de um vestido circulou nas redes sociais na noite desta quinta-feira provocando controvérsia: algumas pessoas o enxergam azul com rendas pretas enquanto outras juram que a peça é branca com rendas douradas.

Quem postou a foto na internet foi a cantora escocesa Caitlin McNeill, alegando que ela e seus amigos não concordavam sobre a cor da peça. A imagem se espalhou pelas redes sociais e o debate ganhou o mundo. Uma pesquisa feita pelo site Buzzfeed, respondida por 2,5 milhões de pessoas, mostrou que 70% delas viam o vestido branco e dourado. Estavam enganadas. Caitlin revelou que o vestido é azul e preto.

Uma das primeiras hipóteses levantadas para explicar o fenômeno foi a diferença das telas de celulares e computadores nas quais as pessoas viam a imagem. Esta teoria foi rapidamente derrubada, porque pessoas olhando a foto no mesmo aparelho ainda discordavam sobre a cor do vestido.

A ilusão é um efeito provocado pelo mecanismo do nosso cérebro que faz com que a gente enxergue as cores de forma constante. Denominado constância da cor, o fenômeno permite que a gente saiba que, em um local escuro ou sob intensa luz solar, os objetos têm as mesmas cores, ainda que aparentem estar diferentes.

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A gerente Debbie Armstrong, ajusta o polêmico vestido em dois tons na vitrine de uma loja em Lichfield, na Inglaterra – 27/02/2015

A gerente Debbie Armstrong, ajusta o polêmico vestido em dois tons na vitrine de uma loja em Lichfield, na Inglaterra – 27/02/2015 (/)

Olhos – Nossos olhos possuem três tipos de cones, células com capacidade de reconhecer cor: um para o azul, outro para o verde e o último para o vermelho. Quando a luz refletida por algum objeto chega a essas células, cada cone registra a intensidade da sua cor naquela luz. Ao serem ativadas as regiões que reconhecem azul e vermelho, por exemplo, o cérebro calcula que o objeto tem um tom de magenta.

“Se um objeto está sendo iluminado pelo Sol, uma cor vem para os sensores do olho, mas se o mesmo objeto for iluminado por uma lâmpada fluorescente, essa cor já fica diferente”, explica Maria José Santos Pompeu Brasil, pesquisadora do departamento de física de matéria condensada do Instituto de Física da Unicamp. Como o cérebro está acostumado com as mudanças de fontes luminosas no cotidiano, ele trabalha para equilibrar esse efeito.

No entanto, em uma situação em que a fonte que ilumina o objeto não está explícita e faltam referências de cor ao seu redor, cada um pode interpretar a imagem como quiser e, inconscientemente, obter resultados distintos. “A foto do vestido não tem boa informação de luminosidade, nem outros objetos próximos que deem uma referência de sua cor”, afirma a pesquisadora. “Assim, nosso cérebro define qual fonte luminosa ele acha que é, mas sem boas dicas cada pessoa pode tirar conclusões diferentes.”

Maria explica que, em geral, ilusões de ótica são feitas para enganar todas as pessoas igualmente. Neste caso, algumas pessoas veem a cor verdadeira do vestido e outras não. “Por isso a imagem é surpreendente”, diz.