Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Bebês reconhecem relações amistosas, afirma estudo

Segundo as autoras, este é um dos primeiros indícios de que os bebês observam as relações sociais de outras pessoas

Antes mesmo de começarem a falar ou conhecerem estruturas sociais, os bebês podem discernir se pessoas tendem a ser amigas. Esta é a conclusão de um estudo publicado nesta quinta-feira no periódico Journal of Experimental Psychology: General. “Esse é um dos primeiros indícios de que os bebês observam as relações sociais de outras pessoas”, afirma Amanda Woodward, professora de psicologia na Universidade de Chicago, que participou da pesquisa.

No estudo, 64 bebês de nove meses foram divididos aleatoriamente em grupos. Eles observaram vídeos que mostravam o comportamento de dois adultos enquanto comiam, e as reações positivas ou negativas de cada um deles em frente à comida. Em alguns casos, os adultos compartilhavam as mesmas reações, em outros não.

Katherine Kinzler, também da Universidade de Chicago e co-autora do estudo, explicou que foram apresentadas cenas com comida aos bebês porque os alimentos podem fornecer informações sociais importantes. “Fazer as refeições com parentes e amigos é uma ação social e, por isso, os bebês podem ser propensos a usar os comportamentos observados nesses momentos para tirar conclusões sobre as relações sociais.”

Para investigar se os bebês vinculavam as reações à comida com as relações sociais, a pesquisa analisou a forma como eles respondiam aos vídeos que mostravam os mesmos adultos (que antes estavam comendo) agindo de maneira positiva ou negativa entre si.

No vídeo com a interação positiva, eles sorriam e se cumprimentavam com um “oi” em tom de voz amigável. No segundo vídeo, os adultos davam as costas um ao outro, cruzavam os braços e faziam um som de desagrado (“hmpf”).

Os pesquisadores avaliaram as reações das crianças a esses vídeos e mediram o tempo que elas olhavam para a cena no fim de cada vídeo, congelada na tela. Estudos anteriores mostraram que os bebês fixam o olhar mais longamente em alguma coisa se ela não é familiar. “Quando os bebês veem algo inesperado, eles olham por mais tempo. É incomum para eles e precisam encontrar um sentido no que veem”, afirma Amanda.

Leia mais:

Bebês têm consciência a partir dos cinco meses de idade

Bebês de famílias bilíngues têm mais facilidade para aprender idiomas

Surpresas – As respostas dos bebês aos vídeos indicaram que eles ficaram surpresos ao perceber que dois adultos que gostavam dos mesmos alimentos se comportavam de forma negativa entre si, e também quando os adultos que não tinham a mesma opinião sobre a comida se comportavam como amigos. Isso significa que as crianças já sabiam que, quando duas pessoas concordam em alguma coisa, elas tendem a agir de forma amigável mesmo em outras situações. Elas previam que pessoas que reagiam de forma parecida à comida tinham mais chances de serem amigas, e se surpreenderam quando os vídeos mostraram uma situação contrária.

“Os pais podem se interessar em saber que os bebês estão acompanhando o que acontece no mundo ao seu redor e tirando conclusões sobre relações sociais sobre as quais nós não sabíamos antes deste estudo”, afirma Zoe Liberman, doutoranda da Universidade de Chicago e principal autora da pesquisa.

Os resultados forneceram as primeiras evidências de que as raízes de um aspecto crítico da cognição social, o raciocínio sobre as interações sociais de outras pessoas com base em seus gostos, vêm desde a primeira infância. Em estudos futuros, as autoras pretendem analisar que outras situações ajudam as crianças a entender as relações sociais.

(Com Agência EFE)