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Até os sapos escolhem parceiros inadequados, diz estudo

Pesquisa da revista 'Science' mostra como as fêmeas elegem sapos medíocres para acasalar. O estudo pode esclarecer a razão por que os humanos fazem escolhas “irracionais" de seus parceiros

Por Da Redação Atualizado em 6 Maio 2016, 16h02 - Publicado em 31 ago 2015, 16h31

Ao contrário do esperado entre os animais, as fêmeas dos sapos preferem ter filhos com os machos mais “medíocres” do grupo. Se tiverem muitas opções, elas desprezam os mais atraentes e acasalam com os que não são nem muito ruins, nem muito bons. De acordo com um estudo publicado na última semana na revista Science, a escolha da fêmea do sapo da espécie Physalaemus pustulosus (conhecido em inglês como túngara) pode ajudar a entender por que, no mundo animal, as fêmeas nem sempre são muito “espertas” ao escolher o pai de seus filhos.

Com um artigo intitulado “A irracionalidade na escolha do parceiro revelada pelos sapos túngara”, os pesquisadores da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, revelam como 80 fêmeas da espécie escapam aos modelos do que seria a racionalidade animal – racionalidade no sentido figurado, pois só os homens são dotados de razão. Elas não preferem os parceiros de acordo com critérios que ofereceriam mais vantagens do ponto de vista evolutivo.

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Efeito isca – Entre esses sapos, a atratividade é medida pelo canto, que deve ter a frequência e duração ideais para seduzir as fêmeas. Nos testes dos cientistas, se a fêmea puder escolher entre um sapo atraente, com um belo canto, e um menos interessante e bastante desafinado, ela sem dúvida ficará com o mais sedutor. Mas, se, entre os dois, houver um sapo medíocre, a fêmea tende a desprezar a melhor opção e ter filhos com o mediano. A explicação dos cientistas é que as fêmeas podem estar suscetíveis a um padrão econômico conhecido entre os humanos como “efeito de dominância assimétrica”, ou “efeito isca” (“decoy effect”, em inglês), que prevê que a presença de uma alternativa irrelevante transforma nossa percepção. No caso das fêmeas do sapo, o efeito faz com que elas acreditem que o sapo mediano é a melhor opção entre todas, como uma “miopia”.

“Um corpo crescente de evidências empíricas sugerem que não temos uma compreensão coerente das regras que governam a escolha de um parceiro. O modelo de escolha racional funciona para cenários simples, mas parece ser inadequado para prever como se dão as preferências em um mercado sexual dinâmico”, escrevem os autores.

Segundo os pesquisadores, essa talvez não seja a opção “errada”, pois o mediano pode ser ser a melhor alternativa para um sapo. Contudo, pesquisas futuras precisam explicar quais seriam as vantagens dessa escolha para a evolução da espécie. Como o “efeito isca” também funciona entre os humanos, os cientistas explicam que a “irracionalidade” das escolhas humanas podem ter raízes biológicas, compartilhadas com vários animais.

(Da redação)

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