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Astrônomos descobrem ‘cemitério’ de cometas no Cinturão de Asteroides

Pesquisadores encontraram uma nova região do Sistema Solar onde os cometas podem passar milhões de anos inativos

Astrônomos colombianos anunciaram nesta sexta-feira a descoberta de um vasto “cemitério” de cometas em meio ao Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter. Doze deles “ressuscitaram” subitamente graças à proximidade do Sol. “Estes objetos voltam à ativa após permanecerem adormecidos por milhares, talvez milhões de anos”, afirmou Ignacio Ferrin, pesquisador da Universidade de Antioquia, na Colômbia, em alusão ao personagem bíblico que Jesus fez reviver dos mortos.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: The location of Asteroidal Belt Comets (ABCs), in a comets’ evolutionary diagram: The Lazarus Comets

Onde foi divulgada: periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Quem fez: Ignacio Ferrín, Jorge Zuluaga e Pablo Cuartas

Instituição: Universidade de Antioquia, na Colômbia

Dados de amostragem: 12 cometas descobertos em meio ao Cinturão de Asteroides

Resultado: Segundo os pesquisadores, o Cinturão de Asteroides abrigaria um grande número de asteroides inativos, que poderiam “ressuscitar” com uma maior proximidade do Sol

Os cometas são alguns dos menores objetos do Sistema Solar, medindo poucos quilômetros e compostos por uma mistura de gelo e poeira. Quando se aproximam do Sol, o calor emitido pela estrela faz com que os cometas soltem um rastro de gás e poeira, que é percebido a partir da Terra como uma espécie de cauda. Os asteroides, ao contrário, são objetos exclusivamente rochosos, que não deixam nenhum tipo de rastro enquanto vagam pelo espaço.

Até agora, os astrônomos consideravam que os cometas tinham duas origens possíveis: o Cinturão de Kuiper, situado além de Netuno, e a Nuvem de Oort, localizada depois de Plutão, ambos distantes do Sol. Na última década, no entanto, pesquisadores descobriram pelo menos 12 cometas ativos em uma terceira região do Sistema Solar, o Cinturão de Asteroides. Até hoje, essa região era considerada – como seu nome indica – um grande depósito de asteroides.

Segundo os pesquisadores colombianos, as descobertas recentes indicam que a região pode abrigar um número muito maior de cometas, que passam despercebidos por não apresentarem cauda. “Imagine os asteroides girando em torno do Sol por toda a eternidade, sem qualquer sinal de atividade. O que nós constatamos é que alguns deles não são pedras mortas, mas sim cometas adormecidos que podem voltar à vida se a energia que eles receberem do Sol aumentar”, diz Ferrin.

De acordo com os astrônomos, os doze cometas “ressuscitaram” após terem sua órbita desviada pela gravidade de Júpiter, aproximando-os do Sol. Isso fez com que água em sua superfície voltasse a se evaporar e sua cauda, subitamente, reaparecer.

A teoria formulada pelos pesquisadores afirma que, há milhões de anos, o Cinturão de Asteroides era repleto de cometas. Com o passar do tempo, eles foram perdendo suas camadas mais superficiais de gelo, parando de emitir um rastro e se tornando inativos. Esses cometas, no entanto, não estão inativos definitivamente: caso alguma perturbação os aproxime do Sol, as temperaturas maiores podem fazê-los renascer.

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(Com Agência France-Presse)