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Astrônomos criam técnica para obter imagens mais nítidas já feitas do espaço

Um dos pesquisadores responsáveis pela técnica comparou a capacidade do dispositivo à de "enxergar uma moeda a mais de 160 quilômetros de distância"

Por Da Redação - Atualizado em 6 maio 2016, 16h17 - Publicado em 26 ago 2013, 12h18

Após mais de vinte anos de pesquisas, uma equipe de astrônomos desenvolveu um sistema capaz de produzir as imagens do espaço com a mais alta resolução já obtida. Acoplado a um telescópio terrestre, o dispositivo capta imagens dentro do espectro da luz visível com mais de duas vezes a nitidez das imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, que está em órbita. “É como conseguir capturar uma moeda a mais de 160 quilômetros de distância”, diz Laird Close, pesquisador da Universidade do Arizona e integrante da equipe, composta também por pesquisadores do Instituto de Ciências Carnegie, nos Estados Unidos, e do Observatório de Arcetri, na Itália.

Ainda que muitos telescópios da Terra sejam maiores do que aqueles em órbita, as imagens capturadas por aqui não têm tanta resolução quanto aquelas feitas diretamente do espaço. Isso acontece em virtude da interferência da atmosfera terrestre, que embaça as imagens.

Para resolver este problema, os pesquisadores utilizaram técnicas de óptica adaptativa, uma tecnologia que reduz o efeito de distorções e melhora sistemas ópticos. Eles desenvolveram um espelho curvado, denominado Espelho Secundário Adaptativo (ASM, na sigla em inglês), e o instalaram acima do espelho primário do telescópio (parte principal do dispositivo, responsável por criar a imagem no plano focal).

O ASM é capaz de mudar de forma em 585 pontos em sua superfície, em uma frequência de 1 000 vezes por segundo, neutralizando o embaçamento provocado pela atmosfera e permitindo que o espaço seja fotografado da forma mais nítida já conseguida pelos astrônomos. O dispositivo foi instalado no Telescópio de Magalhães Clay, também conhecido como Magalhães II, por ser um dos dois telescópios gêmeos com 6,5 metros de diâmetro localizados no Observatório Las Campanas, no deserto do Atacama, no Chile.

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Teste – O primeiro teste deste sistema, denominado MagAO (uma redução de “Magellan Adaptive Optics”, “Óptica adaptativa Magalhães”, em tradução livre) foi feito com a estrela que fornece a maior parte da luz ultravioleta da Nebulosa de Órion. Os pesquisadores já sabiam que a Theta 1 Ori C era na verdade um sistema binário, composto de duas estrelas, mas como elas ficam muito próximas entre si, nenhum telescópio até então havia conseguido fotografá-las como duas estrelas. Com uso do sistema MagAO, os astrônomos puderam vê-las separadamente pela primeira vez.

Laird Close/UA

Imagens mais nítidas do espaço

Foto “normal” da estrela Theta 1 Ori C, foto com o uso do sistema MagAO e imagem ampliada, na qual é possível ver a existência de duas estrelas

O dispositivo também foi utilizado para estudar como os discos de gás e poeira ao redor das estrelas, que originam os planetas, são afetados pela radiação emitida por grandes estrelas vizinhas. Os estudos que descrevem os primeiros resultados obtidos com esse sistema serão publicados nos próximos meses no periódico The Astrophysical Journal.

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