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Assim como os humanos, chimpanzés também ficam de luto

Pesquisa mostra como o parente mais próximo dos homens lida com a morte

“As pesquisas constituem um forte argumento de que os chimpanzés não só compreendem o conceito de morte, mas também têm maneiras específicas de lidar com isso”

James Anderson, da Universidade de Stirling, no Reino Unido

A devoção dos chimpanzés à sua prole é conhecida. Os filhotes são carregados no colo até que possam andar por conta própria e amamentados por um longo período de tempo – até seis anos, se preciso. Agora, os cientistas descobriram que chimpanzés, como os humanos, também ficam de luto por sua cria.

Cientistas do Instituto Max Planck de Psicolinguística capturaram imagens de uma mãe chimpanzé velando o corpo de seu filhote de 16 meses. Quase um dia depois da morte do pequeno chimpanzé, a mãe finalmente deita o bebê no chão, com cuidado, e o observa a uma pequena distância. De tempos em tempos, ela se aproxima e acaricia seu rosto, aparentemente para se certificar de que está mesmo morto. Passada uma hora, a mãe leva o filhote a um outro grupo de chimpanzés, onde o corpo passa a noite, e parte.

A cena protagonizada pelo mais próximo parente do ser humano na natureza foi registrada em Chimfunshi, na Zâmbia. Os responsáveis pela filmagem – os cientistas Katherine Cronin, Edwin Van Leeuwen, Mark Bodamer e Innocent Chitalu Mulenga – publicaram neste mês um artigo sobre o tema no American Journal of Primatology. Nele, explicam que pouco se sabe sobre como os primatas lidam com a morte. Mas “era uma questão de tempo até que sua reação fosse registrada e submetida à análise, mostrando sua enorme similaridade com os seres humanos”, disse Bodamer ao jornal britânico Daily Mail.

Pesquisas anteriores – O vídeo da equipe de Bodamer não é a primeira pista que a ciência tem sobre a relação entre chimpanzés e a morte. Em 2003, estudiosos da vida animal registraram a curiosa história de duas mães que carregaram, por semanas, os cadáveres de seus filhos mortos em uma epidemia de gripe, em Bossou, na Guiné. Mais: elas trataram os pequenos como estivessem vivos.

Outros relatos científicos dão conta de um grupo de chimpanzés que limpou e assistiu durante toda uma noite o corpo de uma anciã da espécie. “As duas pesquisas combinadas constituem um forte argumento de que os chimpanzés não só compreendem o conceito de morte, mas também têm maneiras específicas de lidar com isso”, disse, na época, o autor do estudo, James Anderson, da Universidade de Stirling, no Reino Unido.

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